Reino Unido diz que contato sexual é a provável forma de transmissão da varíola dos macacos entre humanos

O surgimento repentino de casos em Londres, e as incertezas sobre como e onde os indivíduos contraíram o vírus, deixaram cientistas intrigados

de Redação Jornal Ciência 0

O recente surto de casos de varíola no Reino Unido é considerado “sem precedentes”, disse um cientista, enquanto outros alertaram que havia “lacunas em nosso conhecimento” sobre a recente disseminação da doença.

Jornal Ciência no seu WhatsApp

Clique aqui (61) 98302-6534, mande “olá” e salve nosso número nos seus contatos. Você receberá notícias do Jornal Ciência diretamente no seu celular.

As autoridades de saúde estão investigando as ligações entre 4 novos casos identificados em Londres e no nordeste da Inglaterra — nenhum dos casos tem conexões conhecidas com as 3 infecções anteriores detectadas pela Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido (UKHSA).

Mas, o surgimento repentino de casos e as incertezas sobre como e onde os indivíduos contraíram o vírus, e cientistas acreditam que a via de infecção mais provável tenha sido por contato sexual.

“Este surto de varíola não tem precedentes no Reino Unido e provocou ações urgentes de saúde pública”, disse Jimmy Whitworth, professor de saúde pública da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres.

Michael Head, pesquisador em saúde global da Universidade de Southampton, disse: “Atualmente, existem lacunas em nosso conhecimento e o rastreamento de contatos revelarão mais sobre o padrão de transmissão”.

O pesquisador ressaltou ainda que, muito provavelmente, veremos poucos casos de infecções e não teremos níveis de transmissão em larga escala.

De acordo com os cientistas, apesar de parecer preconceituoso, 4 entre os 7 casos no surto atual de varíola dos macacos, são gays ou bissexuais. “Isso é altamente sugestivo de disseminação através de redes sexuais”, de acordo com Mateo Prochazka, epidemiologista de doenças infecciosas do UKHSA, que lidera a investigação da agência.

“Isso é sugerido pelo fato de que contatos comuns foram identificados em apenas 2 dos 4 casos mais recentes”, disse Mateo Prochazka no Twitter, acrescentando que era impressionante a possibilidade de o contato sexual ser uma nova rota de transmissão, já que isso nunca foi relatado.

Um comunicado divulgado pela UKHSA, na última segunda-feira (16/05), pela médica-chefe e consultora Susan Hopkins, diz: “Estamos especialmente pedindo aos homens gays e bissexuais que estejam cientes de quaisquer erupções ou lesões incomuns e entrem em contato com um serviço de saúde sexual sem demora”.

No entanto, alguns cientistas questionaram a teoria de que a varíola dos macacos desenvolveu a capacidade de ser transmitida sexualmente.

Para o professor e epidemiologista da Universidade de Nottingham, Dr. Keith Neal, os cientistas precisam analisar se o vírus de varíola dos macacos é encontrado no sêmen para dizer se a hipótese de transmissão sexual é verdadeira.

O professor François Balloux, diretor do UCL Genetics Institute, disse: “Eu gostaria de pedir cautela neste estágio antes de concluir que a varíola dos macacos se transformou em uma infecção sexualmente transmissível (IST)”.

Nenhum dos indivíduos recém-infectados viajou para um dos países onde a varíola dos macacos ocorre, como os do continente africano. A doença pode matar até 10% das pessoas que infecta, disse a UKHSA.

As autoridades britânicas de saúde seguem acompanhando de perto todos os casos e monitorando pessoas que possam ter tido contato com os infectados.

Fonte(s): Independent UK Imagens: Divulgação

Jornal Ciência