Cientistas descobrem um objeto inesperado orbitando nossa galáxia

de Julia Moretto 0

Os cientistas descobriram uma galáxia anã escondida na nossa própria Via Láctea. A razão pela qual a galáxia permaneceu oculta é por ser muito pequena e fraca: segundo os especialistas, é a menor galáxia descoberta até o momento. A descoberta sugere que pode haver muitas mais destas galáxias pequenas e pouco brilhantes à espreita no espaço. Descobrir mais sobre nossos satélites poderia ser a chave para finalmente entender como as galáxias se formam o como a matéria escura mantém tudo junto.

 

Já existem cerca de 50 galáxias conhecidas orbitando nosso próprio espaço. Cerca de 40 delas são fracas, o que as coloca na categoria das chamadas “galáxias anãs esferoidais”. Cinquenta galáxias podem parecer muitas, mas o problema é que a nossa atual compreensão sobre matéria escura e como ela ajuda a formar as galáxias sugere que deve haver centenas de satélites por aí.

 

Tecnicamente, mesmo com esse número, conhecemos menos satélites do que deve haver. Até o momento, os astrônomos não foram capazes de explicar o que está acontecendo – ou a nossa compreensão sobre a matéria escura está errada ou esses satélites estão se escondendo. Agora, uma nova pesquisa sugere que esta última hipótese pode ser possível. Até recentemente, os cientistas não haviam detectado uma galáxia com a magnitude mais fraca que -8. A magnitude absoluta é o brilho com que um objeto celeste é visto à distância de 10 parsecs (32,6 anos-luz).

 

Para efeito de comparação, a magnitude absoluta para a galáxia de Andrômeda é de -21,77 e a Grande Nuvem de Magalhães é -18,35. Assim, enquanto -8 é muito fraco, este satélite recém-descoberto possui uma ordem de magnitude mais escura do que isso, com uma magnitude absoluta de -0,8, sendo a mais fraca galáxia satélite encontrada.

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O novo satélite foi nomeado Virgo I, porque se encontra na direção da constelação de Virgem no nosso céu noturno. Ele foi descoberto através do Telescópio Subaru de 8,2 metros no Havaí.

 

O telescópio foi capaz de digitalizar uma grande parte do céu noturno usando uma ferramenta chamada Hyper Suprime-Cam (HSC). Com isso, foi possível examinar as regiões mais estreitas para procurar evidências de galáxias fracas. Com base nestes dados, os especialistas puderam isolar Virgo I, que tem cerca de 248 anos-luz de diâmetro e fica a 280.000 anos-luz distante do Sol.

Analisamos cuidadosamente os dados iniciais da Pesquisa Estratégica Subaru com HSC e encontramos uma informação sobre a densidade de estrelas em Virgem com alta significância estatística, mostrando um padrão característico de um sistema estelar antigo no diagrama de magnitude“, disse um dos pesquisadores Daisuke Homma, da Universidade de Tohoku, no Japão.

 

Agora que sabemos como detectar galáxias fracas, podemos descobrir muito mais delas. Podemos apostar que nossa compreensão da matéria escura e evolução da galáxia vai aumentar. “Esta descoberta implica em centenas de satélites anãos fracos à espera de serem descobertos no halo da Via Láctea“, disse o pesquisador Masashi Chiba. “Saber quantos satélites existem lá e quais suas propriedades, nos dará um importante indício de compreensão de como a Via Láctea se formou e como a matéria escura contribuiu para isso“, completou.

 

Esta descoberta não é suficiente para dizer com certeza o que está acontecendo, mas a equipe está usando o telescópio Subaru para caçar mais desses satélites fracos.

 

A pesquisa foi publicada no Astrophysical Journal, e você pode lê-lo no arXiv.org.

[ Science Alert ] [ Fotos: Reprodução / Science Alert  ]

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