Primeiro buraco negro isolado é descoberto na Via Láctea

Estima-se que existam mais de 100 milhões de buracos negros na nossa galáxia, a grande maioria com massa comparável à do Sol

de Redação Jornal Ciência 0

Mesmo existindo mais de 100 milhões de buracos negros em nossa própria galáxia, um fato nunca muda: como nenhuma luz escapa da imensa força gravitacional, torna-se uma tarefa extremamente difícil encontrá-los.

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Normalmente, eles são vistos através de fusões ou interações com estrelas, mas agora os astrônomos encontraram um buraco negro sozinho; o primeiro buraco negro verdadeiramente isolado.

Em um artigo publicado na revista Astrophysical Journal, que ainda aguarda revisão por pares, os astrônomos descrevem a descoberta do buraco negro solitário a cerca de 5.000 anos-luz de distância, graças ao fenômeno da microlente astrométrica.

A gravidade distorce o espaço-tempo. Quanto mais denso um objeto, mais forte é sua força gravitacional e, quando o objeto em questão é tão denso quanto um buraco negro, essa deformação é tão incrível que atua como uma lente, ampliando e distorcendo qualquer fonte de luz de fundo atrás dele.

É assim que alguns objetos são encontrados, mas para identificá-los a tantos anos-luz de distância e usar o pequeno efeito da microlente astrométrica, a luz e a posição da estrela precisam ser extremamente bem conhecidas.

A equipe usou o Telescópio Espacial Hubble e observatórios terrestres para estudar uma estrela localizada na direção do centro da Via Láctea. As medições precisas do objeto levaram 6 anos para serem concluídas.

Os cientistas chamam a região encontrada de MOA-2011-BLG191/OGLE-2011-BLG-0462 e, de acordo com os astrônomos, esse fenômeno só pode ter sido criado por um objeto em primeiro plano de alta densidade — ou seja, um buraco negro.

A equipe estima que o objeto pesa aproximadamente 7,1 massas solares. A equipe também demonstrou que o objeto não emite luz.

A massa estimada é maior do que o que é possível para uma estrela de nêutrons ou anã branca e a falta de emissão eletromagnética aponta para um culpado óbvio e emocionante: um buraco negro solitário se movendo pela Via Láctea.

Na verdade, não está simplesmente se movendo ou orbitando como o resto do sistema estelar. Ele está acelerando pela nossa galáxia a 45 km por segundo.

Mesmo com as limitações das medições, essa velocidade nos diz algo. A explosão da supernova — estrela massiva que “chega ao fim” e explode — que criou este buraco negro, deve ter dado um “chute” poderoso, jogando-o de forma veloz pela galáxia.

No artigo científico, a equipe enfatiza que, embora seja difícil acompanhar o objeto, há uma chance de que ele apareça em raios-X profundos ou observações de rádio.

Quando o Observatório Vera C Rubin e o Telescópio Espacial Romano Nancy Grace entrarem em operação na próxima década, eles devem encontrar mais buracos negros solitários usando a técnica dos eventos de microlentes.

Fonte(s): IFLScience Imagens: Reprodução / NASA

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