NASA encontrou alguns dos maiores e mais antigos buracos negros já vistos

de Otto Valverde 0

A NASA captou intensos sinais de raios gama vindos de um conjunto de antigas galáxias. Os raios gama estão sendo lançados por objetos conhecidos como blazar, corpo celeste que apresenta uma fonte de energia muito compacta e altamente variável, que cercam alguns dos maiores e mais poderosos buracos negros já encontrados.

Jornal Ciência no seu WhatsApp

Clique aqui (61) 98302-6534, mande “olá” e salve nosso número nos seus contatos. Você receberá notícias do Jornal Ciência diretamente no seu celular.

 

A descoberta poderia levar à compreensão de como buracos negros se juntaram nos primeiros momentos do Universo, porque esses sinais vêm de galáxias que se formaram quando ele tinha 1,4 bilhão de anos, um décimo de sua idade atual. Esses sinais de raios gama podem ter se originado 1,4 bilhão de anos depois do Big Bang, mas agora estão chegando aos telescópios, permitindo que tentemos entender mais sobre os enormes blazares antigos e seus buracos negros associados.

 

Os blazares existem no núcleo de galáxias elípticas muito ativas, que contêm buracos negros supermassivos com 1 milhão ou mais de vezes a massa do Sol. À medida que o material cai nesses buracos negros, eles emitem jatos de energia altamente poderosos, que se movem perto da velocidade da luz. Quando esses jatos de energia são apontados para a Terra, podem dar uma visão dos buracos negros que os formaram, e o fato de que esses blazares recém-descobertos são de tão longe significa que agora é possível estudar alguns dos buracos negros mais antigos já encontrados.

 

Apesar de sua juventude, estes blazares hospedam alguns dos buracos negros mais maciços conhecidos“, diz o astrônomo Roopesh Ojha do Centro do Voo Espacial Goddard da NASA. Como eles se desenvolveram tão cedo na história cósmica, isso desafia as ideias atuais de como os buracos negros supermassivos se formam e crescem, e queremos encontrar mais desses objetos para nos ajudar a entender melhor o processo“, completou Ojha.

 

A energia recebida foi captada pelo Telescópio Espacial de Raios e Gás de Fermi da NASA e vem de cinco galáxias que se formaram quando o Universo tinha 1,4 bilhão de anos. Embora os raios gama não possam ser vistos a olho nu, eles estão fluindo em grandes quantidades através do Universo o tempo todo. Não se sabe exatamente de onde vem toda essa informação de raios gama, mas as galáxias com blazar são uma das poucas fontes conhecidas que foi identificada.

 

Blazares aparecem particularmente brilhando para os instrumentos científicos, porque seus jatos de energia luminosa são apontados diretamente para o planeta Terra. Mas até agora, a luz mais antiga já vista era de um blazar datado de 2,1 bilhões de anos após a formação do Universo. Recentes aprimoramentos de precisão na forma como os dados de satélites e telescópios são analisados ​​significaram que é possível olhar mais profundamente para o espaço do que nunca, detectando galáxias ainda mais antigas, como o conjunto que o Telescópio Espacial de Fermi detectou.

 

E não só os buracos negros no coração desses cinco novos blazares se formaram quando o Universo era muito jovem, eles são incrivelmente poderosos também, cada um produz mais de 2 trilhões de vezes a energia do Sol. A questão principal agora é como esses grandes buracos negros poderiam ter se formado em um universo tão jovem“, diz outro pesquisador da equipe, Dario Gasparrini do Centro de Dados da Ciência da Agência Espacial Italiana. “Não sabemos quais mecanismos desencadearam seu rápido desenvolvimento“, completou.

 

Tentar entender esses mecanismos é um dos próximos passos que os pesquisadores poderiam dar, mas os cientistas da NASA também querem procurar outros blazares semelhantes para obter uma ampla gama de dados sobre eles. Marco Ajello, da Universidade de Clemson, na Carolina do Sul, disse: “Achamos que Fermi detectou apenas a ponta do iceberg, os primeiros exemplos de uma população de galáxias que antes não havia sido detectada por raios gama“. 

[ Science Alert ] [ Fotos: Reprodução / Science Alert ] 

Jornal Ciência