Teoria da Internet Morta: a bizarra ideia que pode estar se tornando realidade e ainda não percebemos

de OTTO HESENDORFF 0

Será que estamos sendo manipulados de forma global e digital sem perceber? A Teoria da Internet Morta tem a ideia central de que a internet é apenas um mar de bots (robôs eletrônicos) e lixo gerado por inteligência artificial que, todos nós, sem saber, estamos incentivando e alimentando.

Por mais surreal que isso possa parecer, a teoria ganha mais robustez e não parece algo totalmente impossível hoje em dia, especialmente desde a chegada do ChatGPT e outras inteligências que revolucionaram o mundo na quantidade de conteúdo.

Se você usa redes sociais, e a maioria de nós usa, deve ter percebido o toque fúnebre: um número crescente de posts, textos e imagens criados por IA. Ou talvez não tenha percebido, o que é ainda mais assustador, porque mostra que eles estão cada vez mais difíceis de identificar.

De qualquer forma, parece que a internet está mesmo mudando. E não para melhor.

O que é a Teoria da Internet Morta?

A maioria atribui a origem da Teoria da Internet Morta ao 4chan e ao Wizardchan. Nesses fóruns, usuários argumentavam que toda a internet era uma operação psicológica do governo controlada por inteligência artificial, e que a maior parte do conteúdo é gerada por bots programados para impulsionar o ciclo do consumismo.

A partir daí, a ideia foi condensada em uma hipótese detalhada publicada por um usuário desses fóruns que, em 2020, compartilhou um post longo e confuso intitulado “Teoria da Internet Morta: A Maior Parte da Internet é Fake”.

Nele, ele argumenta que a internet “morreu” por volta de 2016 e agora está “vazia e sem pessoas”. A maior parte do que vemos é supostamente criada usando IA, espalhada por bots e, possivelmente, por influenciadores pagos por poderosos para manter “as aparências”.

É difícil argumentar que a teoria é completamente “maluca”, porque cada vez mais conteúdo online é gerado por IA, desde imagens e fotos realistas até conteúdos jornalísticos e reportagens completas.

No entanto, no final das contas, ainda havia um humano por trás disso, usando a IA muito bem ou muito mal. As pessoas estão recorrendo à IA porque muitas vezes ela pode fazer um trabalho melhor e mais rápido. O que elas tentam realizar com a IA varia de uma tradução rápida até fomentar conflitos sociais.

Mas nas redes sociais, o conteúdo gerado por IA é ainda mais comum. Nelas, os bots não apenas vomitam conteúdo criado rapidamente, mas outros bots reagem ao post, empurrando-o cada vez mais para os nossos feeds. Uma enxurrada de spam gerado por IA está inundando o Facebook. Alguns perceberam. Outros, não.

A gosma de IA

Essa enxurrada de conteúdo lixo é conhecida como “slime de IA” e seus feeds de rede social estão cheios dela. Algumas plataformas estão tentando limpar a bagunça.

Elon Musk, por exemplo, tem uma obsessão especial com bots e está testando cobrar de novos usuários do X, antigo Twitter, para que postem. Outras plataformas, no entanto, estão abraçando o slime, querendo produzir ainda mais.

O TikTok está supostamente explorando a ideia de criar seus próprios influenciadores virtuais, para abocanhar uma fatia do dinheiro publicitário que atualmente vai para o bolso de influenciadores humanos.

De acordo com o The Information, o recurso geraria um roteiro baseado em um briefing enviado pelo anunciante, que por sua vez se transformaria em um anúncio em vídeo estrelado por um de seus influenciadores de IA.

E o TikTok não está sozinho. O Instagram está testando um recurso que permite aos seus influenciadores mais populares se clonarem, criando uma versão chatbot com inteligência artificial que pode interagir com os usuários para que eles não precisem se envolver diretamente com os seguidores.

No entanto, considerando que cada vez mais interações com posts comerciais destinados a vender produtos também vêm de bots, essa estratégia pode acabar dando um tiro no pé dos anunciantes.

O que será do futuro da internet?

Será que a internet está prestes a perder seus dias de glória? A jornada tem sido cheia de altos e baixos. Outrora celebrada como uma forma de conectar pessoas, foi a casa de salas de bate-papo, blogs, sites de reencontro e redes sociais como o finado Orkut.

Então as redes sociais chegaram e rapidamente se tornaram vistas como uma força obscura online por muitos, contribuindo para sentimentos de ansiedade e agravando a solidão. Agora, ironicamente, há a preocupação de que a falta de seres humanos de verdade nas redes sociais a torne ainda mais solitária.

Alguns argumentam que essa diluição poderia ser algo positivo, incentivando as crianças a se afastarem das telas e a aproveitarem o tempo na vida real com os amigos. Mas, assim como tantas esperanças para a internet, isso pode não se concretizar.

A publicidade reina, e a IA só está fortalecendo seu domínio sobre o reino. Um relatório recente da Europol estimou que até 90% do conteúdo online pode ser gerado artificialmente em 2026. À medida que essa onda de conteúdo falso ou irrelevante avança em nossa direção, será cada vez mais importante pensar antes de clicar ou comprar.

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Fonte(s): Metro UK Imagem de Capa: Reprodução / Capiz-News / Redes Sociais 

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