Registro “aterrorizante” dos momentos finais da tripulação do submarino Titan é falso, afirma investigação

de OTTO HESENDORFF 0

Uma transcrição, anteriormente considerada autêntica, que supostamente detalhava as comunicações finais entre o submarino Titan e seu navio-mãe, foi recentemente desmascarada como sendo falsa.

O submarino Titan, que estava a caminho dos destroços do Titanic, implodiu em 18 de junho de 2023, resultando na morte de todos os cinco passageiros a bordo.

O trágico incidente ganhou destaque midiático internacional. O desaparecimento do Titan desencadeou uma desesperada missão de busca e resgate, alimentada por esperanças trazidas por ruídos de batidas ouvidos a cada 30 minutos dentro do submarino.

Restavam apenas 96 horas de oxigênio disponíveis para os tripulantes caso o submarino estivesse “preso em algo” aguardando por socorro. Contudo, especialistas não conseguiram determinar a origem dos ruídos e concluíram que o submarino havia implodido completamente.

Entre as vítimas estavam Stockton Rush (dono da OceanGate, empresa que projetou e construiu o submarino), o bilionário britânico Hamish Harding, o francês Paul-Henri Nargeolet, e o empresário paquistanês Shahzada Dawood e seu filho, Suleman, de 19 anos.

Um dos aspectos mais perturbadores dessa tragédia foi a suposta transcrição de áudio dos passageiros dentro do submarino. Essa transcrição, que parecia detalhar as conversas entre os passageiros e o navio-mãe durante a descida, foi considerada completamente falsa.

O registro das comunicações levantou dúvidas, mas esse contato foi inventado para documentar tentativas fracassadas dos cinco passageiros de retornar à superfície.

De acordo com o líder da equipe de investigação federal dos EUA, a transcrição não é real. Uma extensa análise, que durou quase um ano, não encontrou evidências de que os ocupantes do Titan estavam cientes de suas mortes iminentes.

A pressão a três quilômetros abaixo da superfície, cerca de 34.100 kPa (quilopascais), teria causado a desintegração completa do casco do submarino.

O Capitão Jason D. Neubauer, presidente do Conselho de Investigação Marítima dos EUA, afirmou ao The New York Times: “Não tenho dúvidas de que esta transcrição é falsa. Foi inventada — não está claro quem foi a fonte inicial do documento falso”.

A transcrição falsa surgiu poucos dias após a implosão do submarino, no final de junho, documentando conversas minuto a minuto que incluíam termos técnicos e descrições precisas, fazendo com que parecesse verdadeira.

O sistema de Monitoramento em Tempo Real da Saúde do Casco (RTM) foi o principal assunto da transcrição, com a tripulação focando nos alarmes do casco e nos sons de rachaduras antes de perderem contato.

A OceanGate afirmou que o dispositivo possui “uma função de segurança sem precedentes que avalia a integridade do casco durante cada mergulho” para alertar os usuários sobre possíveis problemas.

Neubauer comentou: “Alguém fez bem o suficiente para parecer plausível”. Ele acrescentou que o registro fez parecer que os ocupantes estavam em pânico, à medida que a transcrição falsa revelava relatos ao navio-mãe sobre vários alarmes no casco junto com sons de rachaduras.

Um aviso sobre o sensor até dizia “alerta RTM ativo, tudo vermelho”, com a transcrição terminando após o navio-mãe enviar sete comunicações perguntando sobre sua localização. Tudo isso foi inventado.

Neubauer disse que espera que a verdade console as famílias ao saberem que todos eles não sofreram em seus momentos finais e não estavam em pânico porque, possivelmente, foram surpreendidos de forma instantânea pela enorme pressão do fundo oceânico.

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