Nigéria condena a 20 chicotadas dois humoristas de internet por criticarem governador em vídeo

de Redação Jornal Ciência 0

Dois TikTokers nigerianos foram considerados culpados de difamar o governador Abdullahi Ganduje, do estado de Kano, localizado ao norte do país.

Jornal Ciência no seu WhatsApp

Clique aqui (61) 98302-6534, mande “olá” e salve nosso número nos seus contatos. Você receberá notícias do Jornal Ciência diretamente no seu celular.

De acordo com informações da BBC, Mubarak Muhammed e Nazifi Muhammad foram presos na semana passada após postarem um vídeo no TikTok e Facebook, onde zombavam do governador.

A BBC citou ainda que, no vídeo, os dois alegaram que o governador é corrupto, vende terras do povo e dorme demais.

Wada Ahmed Wada, advogado de acusação, levou o caso para a justiça nigeriana alegando que os homens difamaram o governador, perturbando assim a paz pública.

Mesmo ao se declararem culpados e suplicarem por clemência, Mubarak Muhammed e Nazifi Muhammad foram condenados pela justiça a pagar um valor de 10.000 Nairas Nigerianas (NGN) — equivalente a mais de R$ 118,00.

Além disso, a sentença exige que os dois limpem todas as instalações do tribunal por 30 dias e recebam 20 chicotadas por seus atos criminosos. Eles também precisam pedir desculpas, publicamente ao governador Ganduje nas redes sociais.

Entre os dois, Mubarak Muhammed é o mais famoso no país, por seu perfil @mubarak_uniquepikin no TikTok, com mais de 720.000 seguidores, ultrapassando 6 milhões de curtidas.

Bashir Yusuf, advogado da dupla, disse que seus clientes não iriam recorrer porque a sentença significa que ficarão livres da prisão. Caso recorressem, a condenação poderia ser revista e ter um desfecho ainda pior.

Por que das chicotadas?

O estado nigeriano de Kano é composto em sua grande maioria por mulçumanos, e usa o famoso e controverso regime de leis da Sharia — sistema jurídico do Islã composto por um conjunto de normas e orientações retiradas do Corão.

O Corão, também chamado de Alcorão, é considerado a palavra literal de Alá — Deus, em árabe — que foi escrito ao longo de 22 anos por Maomé (também chamado de Mohammed), profeta final enviado para pregar as normas e regras a serem cumpridas.

O livro tem 114 capítulos — também chamados de surahs (suratas) com 6.236 ayats (versos). A tradução de Corão significa “recitação ou leitura”, sendo assim, foi escrito para ser recitado. Não é exatamente um relato religioso, mas considerado um conjunto de códigos de leis que devem reger completamente a vida, em todas as áreas.

A Sharia usa as normas para punir comportamentos dos mulçumanos. Além disso, a Nigéria tem leis seculares que nunca foram atualizadas e seguem um padrão rígido. Apenas muçulmanos podem ser julgados nos tribunais da Sharia.

As leis rígidas da Sharia são usadas pelo Talibã para aplicar punições severas no Afeganistão — muito criticadas pela forma como permitem tratar as mulheres em detrimento da vontade dos homens.

Entre os códigos que devem ser seguidos incluem orações diárias, doar dinheiro aos pobres e jejuns. Punições severas estão presentes nas leis, como amputação das mãos em casos de roubo e pena de morte por apedrejamento em caso de adultério.

Apesar das orientações, nem todos os países mulçumanos aplicam punições tão severas e a forma como a lei é aplicada ou interpretada pode variar ao redor do mundo.

Fonte(s): The Independent / BBC / BBC Brasil Imagens: Reprodução / Redes Sociais

Jornal Ciência