“Bebê eterno”: mulher de 23 anos parou de crescer na infância e se mantém com mesmo aspecto

de Redação Jornal Ciência 0

À primeira vista, Ajifa Khatun poderia ser qualquer menina, brincando com seus irmãos e irmãs e recebendo um abraço de sua mãe coruja.

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Porém, não foi assim exatamente que aconteceu: Ajifa parece uma criança, mas ela tem, na verdade, 23 anos, pois seu crescimento foi interrompido pouco antes de seu segundo aniversário.

Ajifa pesa pouco mais do que sete quilos e ainda precisa ser alimentada e carregada para todos os lugares por sua mãe Apila, de 42 anos.

Ela era um bebê saudável quando nasceu em 1994 e não demorou muito para que começasse a andar e falar. No entanto, o seu desenvolvimento, em seguida, parou.

Os médicos inicialmente disseram à mãe e ao pai, Sekh, de 52 anos, que Ajifa iria começar a crescer novamente, mas isso não aconteceu. A família, que vive em Mirapar, na Índia, ainda está perdida a respeito do porquê de Ajifa ser como ela é.

Os cientistas acreditam que Ajifa possa ter a Síndrome de Laron, uma doença genética rara, em que se acredita ter afetado apenas 300 pessoas em todo o mundo, e um terço destas vivem em aldeias remotas na província de Loja, no sul do Equador. “Ajifa provavelmente manterá suas feições infantis pela maior parte de sua vida”, afirma Tam Fry, da Fundação Criança Crescimento.

A síndrome foi nomeada pelo endocrinologista israelense Zvi Laron que, no final de 1950, começou a estudar pacientes com diabetes na infância e outras pessoas com distúrbios de crescimento e desenvolvimento sexual. Seus primeiros pacientes tinham o crescimento severamente atrofiado e eram irmãos.

Eles estavam todos obesos, com cabelos finos, testas pronunciadas, e foi visto que seus avós eram primos de primeiro grau.

Laron assumiu que eles tinham uma grave escassez de hormônio de crescimento, mas alguns anos mais tarde, depois que novos exames de sangue foram desenvolvidos, verificou-se que os níveis de hormônio do crescimento eram anormais, sendo extremamente elevados.

Em meados da década de 1960, ele já tinha identificado mais 20 dessas pessoas. Ele argumentou que só poderia ser uma alternativa: ou eles tinham hormônios defeituosos ou algo estava errado com as células que respondem a eles.

As pessoas que herdam essa condição genética rara não produzem um hormônio chamado IGF, hormônio que estimula a célula crescer e dividir-se para formar novas células. Por conta disso, são completamente livres de duas das doenças mais debilitantes: diabetes e câncer.

Ajifa possui três irmãos mais novos: Rini, Rabiya e Danish, com 21, 18 e 16 anos, respectivamente, e que a superaram em quesito desenvolvimento.

A adolescente é fisicamente e cognitivamente semelhante a uma criança de dois anos de idade, tem um Q.I inferior a 20 e um vocabulário restrito que abrange apenas palavras em formação como “maa” (mãe), “baba” (pai) e “didi” (irmã).

Um caso similar a esse foi o de uma americana, Brooke Grenberg, que morreu em outubro de 2013, aos 20 anos, com o físico de uma criança de dois anos. O diagnóstico formal nunca foi dado, fazendo com que os médicos a denominassem de “Síndrome-X”.

 Em vez de ir para a escola ou trabalhar como seus colegas e irmãos, Ajifa passa o tempo brincando com as crianças locais, que são apenas capazes de dar alguns passos de bebê sem ajuda. “Ela não se comunica muito, mas ela sabe o que está acontecendo ao seu redor”, diz o pai.

Os cientistas estão agora desenvolvendo uma droga que se espera fazer artificialmente o que o defeito genético na Síndrome de Laron faz naturalmente: proteger o organismo contra danos ao DNA e o desenvolvimento de câncer.

Fonte: Daily Mail Fotos: Reprodução / Daily Mail

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