Jornal Ciência no seu WhatsApp

 

Clique aqui (61) 98302-6534, mande “olá” e salve nosso número. Você receberá primeiro as notícias do Jornal Ciência em seu celular.

Índia declara epidemia de “fungo negro” que provoca amputação de olho em pacientes da Covid-19

O fungo da mucormicose pode matar até 50% dos infectados e muitos só são salvos após a remoção do olho contaminado ou do osso da mandíbula

de Redação Jornal Ciência 0

O governo da Índia, através do secretário do Ministério da Saúde, Lav Agarwal, pediu na última quinta-feira (20/05) que todos os estados do país declarem epidemia de mucormicose — um tipo de infecção extremamente perigosa provocada por fungos.

O pedido veio após um número crescente de casos de infecção que acomete pacientes da Covid-19, mesmo os que já estão curados do vírus. Eles estão apresentando infecção grave que levam à amputação de partes do corpo, em especial o olho.

Aparência de um paciente contaminado no olho com mucormicose. Foto: Reprodução / Shutterstock

Em declaração, o governo justifica que a medida é necessária porque a infecção fúngica da mucormicose exige tratamento complexo de múltipla abordagem, composta por cirurgião oftalmologista, otorrinolaringologista, cirurgião geral, neurocirurgião, cirurgião bucomaxilofacial, e outros profissionais.

Além disso é necessário o fornecimento contínuo de Anfotericina B — um medicamento antifúngico que custa mais de R$ 1.000.

A Índia vai liberar instituições de saúde privada, pública e faculdades de medicina para que façam a triagem dos casos e procedam com o diagnóstico da mucormicose, seguindo as diretrizes do ministério da saúde, bem como do Conselho Indiano de Pesquisas Médicas.

Os casos

A infecção foi detectada em diversos estados do país em pacientes com Covid-19 — especialmente os que tomaram qualquer tipo de imunossupressores (como por exemplo os corticoides que são usados em pacientes graves para reduzir a inflamação provocada pelo vírus).

Outros pacientes que estão em risco são os diabéticos com controle desajustado. A infecção não atinge apenas os pacientes com Covid-19, mas também afeta os pacientes já curados.

“Esta infecção fúngica está levando a morbidade e mortalidade prolongadas entre os pacientes da Covid-19”, disse o ministério da saúde em nota à imprensa.

A mucormicose, chamada popularmente como “fungo negro”, está aumentando rapidamente em toda a Índia. Dois estados declararam oficialmente epidemia: Haryana (18/05) e Rajastão (19/05). Diversos casos foram registrados nos estados de Karnataka, Uttarakhand, Telangana, Madhya Pradesh, Andhra Pradesh, Haryana e Bihar.

Até o momento, nenhuma contagem oficial foi feita por parte do governo porque a infecção era considerada rara. Agora, todos os casos confirmados ou suspeitos em todos os hospitais do país terão que ser reportados para o ministério da saúde indiano.

O cérebro precisa ser protegido para preservar a vida, por isso podem ocorrer amputações no olho e até mesmo no osso da mandíbula. Foto: Reprodução / Shutterstock

Como tudo começou?

Os primeiros casos de alerta ocorreram no início do mês de maio, quando todos os hospitais da Índia estavam em colapso na segunda onda da Covid-19 provocada pela nova cepa. Hospitais relataram casos de pacientes com Covid-19 ou que estavam curados há poucas semanas, apresentando infecção por mucormicose.

Na semana passada, o Dr. Randeep Guleria alertou abertamente que a mucormicose associada à Covid-19 tem um culpado, que seria o “uso irracional dos corticoides” durante o tratamento dos pacientes. Segundo ele, os corticoides devem ser usados apenas em casos graves que exigem o uso de oxigênio.

Muitos pacientes precisam amputar o olho para evitar risco de contaminar o cérebro. Foto: Reprodução / Wikipédia Commons

A secretaria de saúde de Maharashtra relatou mais de 1.500 casos de mucormicose. O estado de Gujarat também relatou que teve 900 casos de infecção pelo fungo um mês antes, em abril.

O principal medicamento usado é a Anfotericina B, que sofreu forte escassez no mercado, mesmo sendo fabricado na Índia, levando um intenso mercado ilegal da injeção com valores 10x acima do valor usual.

A falta de registros oficiais por parte do governo faz os especialistas acreditar que o número de mortes é extremamente subestimado pela falta de registros oficiais.

Segundo informações de médicos ouvidos pela BBC, muitos são forçados a retirar os olhos e osso da mandíbula em uma tentativa de evitar que o fungo se espalhe e atinja o cérebro. Infelizmente, muitos ficam desfigurados de forma permanente.

Saiba mais!

A infecção por mucormicose ocorre, em geral, pelo contato direto com os esporos do fungo que estão no solo, na vegetação, frutas e em produtos em decomposição. Além disso, os esporos do fungo também podem entrar no corpo através da pele, em arranhões, queimaduras, cortes e outros traumas cutâneos.

Os principais sintomas incluem edema facial de um dos lados do rosto, congestão nasal, lesões pretas no nariz ou dentro da boca. Os fungos podem se espalhar e atingir os olhos, pulmões e cérebro — levando ao coma e morte.

Se não for detectada de forma precoce, a infecção torna-se voraz e provoca cegueira em 80% dos contaminados.

Diabéticos podem ser afetados pelo fungo entre 12 a 15 dias após a cura da Covid-19. Os principais medicamentos usados de forma intravenosa (na veia) são a Anfotericina B (R$ 1.000) e o Posaconazol (R$ 3.000).

Pacientes com câncer, com HIV ou AIDS, que façam uso de corticoides, bem como os que possuam o sistema imune gravemente comprometido, são os principais atingidos por infecções graves da mucormicose.

Fonte(s): Times of India / Forbes / BBC Imagens: Reprodução / Shutterstock

Jornal Ciência