Testaram em humanos um novo tipo de vacina contra o HIV e o fato emocionou cientistas

de Merelyn Cerqueira 0

Mesmo após mais de três décadas de pesquisa, ainda não somos capazes de dizer que temos uma vacina eficaz e segura para impedir o avanço do HIV.

 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a doença ainda é um dos maiores problemas de saúde do mundo e já custou mais de 35 milhões de vida.

 

Mas, porque é tão complicado criar uma vacina eficaz? A resposta para isso é muito simples. O vírus do HIV tem uma capacidade de mutação muito rápida, o que permite que ele se “camufle” no corpo para se manter inativo, reativando-se alguns anos mais tarde.

Como resultado, a vacina a ser criada deveria, em teoria, ser capaz de lutar a curto, médio e longo prazo contra um vírus extremamente evasivo e que apresenta muitas formas diferentes.

 

Felizmente, dados recentemente publicados na revista The Lancet mostram que estamos muito próximos disso. Os pesquisadores administraram uma vacina contra o HIV-1 em voluntários saudáveis e pacientes ainda na fase inicial da infecção, utilizando como vetor o adenovírus do sorotipo 26 (Ad26).

 

O adenovírus é uma família de vírus vulgarmente utilizada no transporte de genes, neste caso, os genes que codificam os antígenos contra o HIV. Em outras palavras, trata-se de uma espécie de “cavalo de Troia molecular”, que transporta partes de diferentes tipos de HIV para induzir uma resposta imune contra diferentes estirpes do vírus.

 

O estudo mostrou os resultados de dois experimentos paralelos. O primeiro foi feito em 393 adultos saudáveis da África Oriental, África do Sul, Tailândia e EUA, e em baixo risco de contrair o HIV.

Os voluntários receberam placebo ou uma das diferentes combinações de vacinas. Nesta fase do ensaio clínico o mais importante é garantir que a vacina seja segura e não cause reações adversas. Neste caso, apenas cinco pessoas (1%) apresentaram desconforto, dor abdominal, diarreia, tonturas, dor nas costas e mal-estar.

 

No entanto, mais importante do que a primeira parte do estudo, só a segunda, que foi realizada em macacos Rhesus (espécie Macaca mulatta). Os animais foram inoculados subsequentemente com um vírus semelhante ao HIV. A vacina forneceu uma proteção completa contra infecção para dois terços de uma amostra de 72 macacos tentados.

 

De acordo com os pesquisadores, embora os resultados sejam promissores, eles não são definitivos. O próximo passo agora é ver o que acontece em testes de larga escala, quando o vírus ataca pessoas potencialmente imunizadas com a vacina – o que será verificado na fase 2b do ensaio clínico, que já começou.

Atualmente, os pesquisadores estão testando a eficácia da vacina em cerca de 2.600 mulheres na África do Sul em risco de infecção por HIV. Os resultados são esperados para 2021 ou 2022.

[ Muy Interessante ] [ Foto: Reprodução / Muy Interessante ]

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