Cientistas estudam novo caso de paciente curada do HIV espontaneamente

De acordo com os cientistas, a cura ocorreu sem medicamentos porque a paciente tem um sistema imunológico “assassino” excepcional.

de Redação Jornal Ciência 0

Surge um novo caso de paciente que parece ter eliminado o HIV completamente de seu corpo de forma espontânea, sem uso de medicamentos. Ela é alvo de estudos e chama a atenção da comunidade científica mundial.

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De acordo com os relatos médicos, esta seria a segunda pessoa no planeta curada de forma espontânea. Com essas informações, os cientistas esperam entender o que existe no sistema imunológico destas pessoas “especiais” para, talvez, ajudar outras.

O HIV tem a capacidade de se esconder do sistema imunológico e dos tratamentos, nos chamados “reservatórios virais”.

Isso significa que mesmo que um programa de tratamento altamente eficaz seja interrompido, uma pessoa infectada se torna vulnerável novamente, fazendo com que a maioria das pessoas com HIV precise tomar antirretrovirais pelo resto da vida.

Até o momento, duas pessoas foram totalmente curadas do HIV por meio de programas de tratamento com células-tronco que não são considerados amplamente aplicáveis para todos. Ou seja, não foi espontânea.

Uma terceira cura foi relatada, mas permanece em análise para verificar cientificamente o caso. No entanto, no ano passado, descobriu-se que um indivíduo, conhecido apenas de forma genérica como “o paciente de São Francisco”, dos EUA, eliminou seu reservatório de HIV simplesmente por ter um sistema imunológico excepcional.

Um novo relatório publicado na Annals of Internal Medicine sugere que a nova paciente em questão não foi um alvo de erro de detecção laboratorial ou de análise, confirmando a veracidade.

A nova paciente “milagroso” é conhecida como Paciente Esperanza, uma mulher de 30 anos cujo parceiro morreu de AIDS. Ela foi inicialmente diagnosticada com HIV em 2013 e fez terapia antirretroviral durante a gravidez em 2019, mas não foi tratada antes e nem depois com nenhum medicamento.

Ao longo de quatro anos, o Dr. Xu Yu e sua equipe, do Hospital Geral de Massachusetts, sequenciaram 1,2 bilhão de células sanguíneas da paciente e 500 milhões de células de tecido.

Yu não conseguiu encontrar o genoma do HIV em um estado de reprodução, mesmo que a imunidade que o controlava diminuísse. Em particular, o vírus não foi detectado em 150 milhões de células T CD4+, geralmente o reservatório principal.

No entanto, uma sequência viral hipermutada foi encontrada, provando que o diagnóstico de infecção original não havia sido um erro e ela tinha mesmo HIV por todos estes anos. A eliminação do vírus é chamada de “cura esterilizante”.

“Essas descobertas, especialmente com a identificação de um segundo caso, indicam que pode haver um caminho que podemos acionar para uma cura esterilizante”, disse o Dr. Yu em comunicado oficial à imprensa.

Os pacientes de São Francisco e Esperanza são exemplos extremos de “controladores de elite”, cujo sistema imunológico pode evitar que o HIV alcance níveis perigosos sem a necessidade de medicamentos antirretrovirais.

É sabido que mais controladores de elite conseguem fazer verdadeiras “mágicas” com suas células T “assassinas” extremamente potentes para matar e defender invasores.

O Dr. Yu está explorando a possibilidade de haver semelhança entre as células T “assassinas” desses dois pacientes.

“Estamos agora olhando para a possibilidade de induzir esse tipo de imunidade em pessoas em tratamento com antirretrovirais por meio da vacinação, com o objetivo de educar seus sistemas imunológicos para serem capazes de controlar o vírus sem medicamentos”, disse. 

Fonte(s): IFLScience Imagens: Divulgação / IFLSCience / Sciepro / Shutterstock.com

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