Um dos vírus que causa resfriados comuns pode ter se originado a partir de camelos

de Merelyn Cerqueira 0

Em um estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, uma equipe internacional de pesquisadores sugeriu que um dos quatro coronavírus responsáveis pelo resfriado comum – o vírus HCoV-229E – originou-se em camelos antes de ser transmitido aos seres humanos.

De acordo com a Science Alert, o resultado é surpreendente, pois, os pesquisadores não sabiam que o vírus poderia se espalhar entre duas espécies até 2012, quando descobriram que a síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS), causada por um coronavírus, teria começado em camelos. O estudo também sugeriu que os camelos poderiam ser a causa de uma série de outras infecções, que inclui a presença de rinovírus e outros três coronavírus.

Segundo o pesquisador Christian Drosten, do Hospital Universitário de Bonn, na Alemanha, para as investigações foram examinados cerca de 1.000 camelos. Os cientistas teriam ficado “surpreendidos ao encontrar patógenos relacionados com o HCoV-229E, responsável pelo resfriado comum, em quase 6% dos casos”. Para confirmar o caso, a equipe realizou uma comparação molecular entre o vírus responsável pelo resfriado e os encontrados em camelos e morcegos, que já são conhecidos como capazes de transmitir doenças para as pessoas.

Os resultados sugeriram que o HCoV-229E não era só semelhante ao dos seres humanos, mas que ele efetivamente teria saltado dos animais para nós em algum momento. Tal compreensão é importante para definir a origem do resfriado comum, bem como crucial para o desenvolvimento de tratamentos de prevenção para a MERS – que causa infecções graves e potencialmente fatais para o trato respiratório.

A boa notícia até aqui é que nosso sistema imunológico é muito bom em se defender contra o resfriado comum, o que sugere que um sistema saudável também seja capaz de lutar contra a MERS, de acordo com os cientistas. Eles também encontraram evidências de que o HCoV-229E tinha evoluído significativamente para ser capaz de se transmitir de humano para humano. Mas, a mesma evolução não parece ter acontecido com o vírus da MERS ainda.

O vírus da MERS é um patógeno estranho: pequenos e de surtos regionalmente restritos”, disse Drosten. “Felizmente, ele ainda não se adaptou bem o suficiente para os seres humanos, e, consequentemente, ainda é incapaz de se espalhar globalmente”. A má notícia, no entanto, é que se o vírus comum conseguiu evoluir é bem provável que, eventualmente, o da MERS também o faça. “Nosso estudo fornece um sinal de alerta sobre o risco de uma pandemia de MERS”, acrescentou Drosten.

Segundo a Science Alert, uma vacina contra MERS está prevista para entrar em ensaios clínicos a partir do ano que vem. Até lá, podemos apenas esperar que novas informações forneçam o suficiente para tratar os infectados e evitar uma maior propagação.

[ Science Alert ] [ Foto: Reprodução : William Warby / Flickr ]

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