Exoplaneta tem chuva de vidro e temperaturas de até 3.000°C

de Merelyn Cerqueira 0

Quando examinaram o exoplaneta HD 189733b, pesquisadores das universidades de Genebra e Berna, na Suíça, notaram que ele poderia ser considerado uma versão mais quente de Júpiter, ou basicamente o detentor do pior clima do Universo: temperaturas que podem chegar a 3.000°C, ventos de até 2 km/s e chuvas de vidro que caem a uma velocidade sete vezes maior do que a da luz estão presentes no planeta em questão.

Os resultados foram comparados com dados recentes fornecidos pelo telescópio Hubble, da NASA, de acordo com o jornal Daily Mail“Para o olho humano, esse planeta distante parece ser azul brilhante”, disse a agência. “Mas, para qualquer viajante espacial que o confunda com o céu amigável da Terra, ele é mortal”.

Com seus ventos de até dois quilômetros por segundo, sete vezes a velocidade do som, ele instantaneamente chicotearia todos os viajantes. E isso ainda não é nada comparado à chuva de lá, que a NASA descreveu como uma “morte por mil cortes” instantâneos. “No exoplaneta provavelmente chovem partículas de vidro carregadas por ventos uivantes”. Tal fator é o que dá ao lugar a aparência azul deslumbrante, ela não é causada pelo reflexo do oceano, mas sim por uma atmosfera nebulosa e repleta de altas nuvens feitas de partículas de silicato. 

No ano passado, os cientistas foram capazes de estudar o tempo do local pela primeira vez, através da mensuração das emissões de sódio. Os resultados, adquiridos a partir de um telescópio relativamente pequeno, sugere que em breve teremos a oportunidade de examinar outros planetas distantes, muito além do Sistema Solar e com muito detalhamento.

Localizado a 600 trilhões de quilômetros da Terra, ou 63 anos luz, HD 189733b é um gigante gasoso ligeiramente maior do que Júpiter e presente na constelação Vulpecula (Vul), também conhecida como Raposa, no hemisfério celestial norte.

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A atmosfera extrema do lugar, que pode chegar a 3.000°C, é quente o suficiente para derreter chumbo, e combina com a força turbulenta dos ventos para compor um ambiente certamente inóspito. Os resultados apresentados pela equipe suíça certamente são emocionantes, uma vez que destacam a possibilidade de informações a serem extraídas de um planeta distante e com tecnologias limitadas.

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Em entrevista ao Daily Mail, o líder do subprojeto, Kevin Heng, disse que pode ser possível medir as condições de mundo semelhante à Terra a partir da mesma técnica, embora seja um processo difícil. A dificuldade, segundo ele, surge porque um mundo do tamanho do nosso planeta pode bloquear muito menos luz de uma estrela parente, em comparação com o gigantesco HD 189733b. “Ajudaria mais se pudéssemos encontrar um exoplaneta semelhante à Terra orbitando uma estrela realmente brilhante”, acrescentou o Dr. Heng.

Quando um exoplaneta passa a frente de sua estrela, a intensidade da luz varia. Dependendo de quão fraca ou forte é, torna-se possível descobrir quão quente o planeta pode ser. Ainda, como os sinais vêm de diferentes altitudes, os cientistas também puderam medir a diferença de temperatura através da atmosfera. Para medir o vento, a equipe olhou para as linhas de sódio, à medida que se esticavam, indicando uma direção.

As medidas de confirmação foram feitas por telescópios terrestres e do espacial Hubble. No entanto, os suíços utilizam um modelo comparativamente pequeno, de apenas 3,6 metros de largura, localizado no Observatório Europeu do Sul (ESO), em La Silla, no Chile. Eles acreditam que os resultados da pesquisa abrirão novas oportunidades para estudarmos a atmosfera de exoplanetas distantes sem termos que recorrer a observatórios gigantes ou telescópios espaciais.

[ Daily Mail ] [ Fotos: Reprodução / Daily Mail / NASA ]

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