Cientistas identificam vírus mortal capaz de roubar DNA de viúvas-negras

de Merelyn Cerqueira 0

Pequena, preta, vermelha e altamente venenosa, a aranha viúva-negra é um dos aracnídeos mais temidos do planeta. Agora, sua terrível reputação está sendo compartilhada por algo invisível a olho nu, de acordo com informações do jornal inglês Daily Mail.

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Em um esforço recente para sequenciar o genoma de um vírus anormal, cientistas no Tennessee, EUA, identificaram que ele possuía a mesma toxina utilizada pela aranha para matar suas presas. Segundo informações da Science Alert, ainda não está claro como ele adquiriu o DNA da aranha – e de outros animais – mas, os pesquisadores suspeitam que a cooptação de genes poderia ter facilitado o trabalho, infectando as bactérias que vivem dentro dos insetos.

Segundo o biólogo Seth Bordenstein, da Universidade de Vanderbilt, o DNA relacionado com o gene da toxina da aranha-viúva negra veio como uma surpresa, porque esta é a primeira vez que um fago – vírus que infecta bactérias – foi encontrado transportando DNA animal. Bordenstein e sua esposa, Sarah, ecologista na mesma universidade, estudaram o vírus em questão por 15 anos. No entanto, nunca imaginaram que sequenciando o DNA encontrariam tal característica.

Geralmente, os vírus costumam ficar dentro dos “limites biológicos estabelecidos”, infectando apenas um tipo de organismo, como bactérias, archaea ou eucariotas. Diferente disso, o vírus bacteriófago em questão, chamado WO, tem como alvo principal a bactéria Wolbachia. Ainda, de alguma forma, ele também desenvolveu habilidades para penetrar células animais. Enquanto não se sabe ao certo como WO é capaz de realizar esse roubo genético, os Bordensteins suspeitam que a habilidade tenha sido necessária para que pudesse infectar e fugir de seu principal alvo, a Wolbachia.

Esse tipo de bactéria costuma infectar artrópodes, como as aranhas e crustáceos, envolvendo-se nas membranas das células dos animais. Assim, para o vírus conseguir realizar seu trabalho, ele precisa perfurar duas camadas de membranas: a bacteriana e animal. Para infectar as bactérias, seu DNA nativo seria suficiente. No entanto, ele precisa primeiro perfurar a camada dos artrópodes para poder entrar.

Assim, o veneno da aranha combinado ao DNA de WO codificam para a formação da latrotoxina, uma neurotoxina mortal que só é eficaz porque consegue fazer furos nas membranas celulares. “Nós suspeitamos que ele faz furos nas membranas das células de artrópodes que cercam Wolbachia, permitindo assim que o fago [WO] supere tanto as membranas bacterianas e artrópodes que o cercam”, disse Seth.

Os pesquisadores também encontraram evidências de outros genes de animais do DNA do vírus, incluindo sequências genéticas de eucariontes que usam para detectar agentes patogênicos e evitar respostas dos sistemas imunológicos. “É como um buffet”, disse Sarah, “Eles pegam pedaços de diferentes genes e os colocam juntos para formar este supergene”. As descobertas foram publicadas pela revista Nature Communications.

[ Science Alert ] [ Foto: Reprodução / Pixabay ]

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