Astrônomos fotografaram detalhes escondidos no Sol

de Julia Moretto 0

Astrônomos conseguiram revelar todos os detalhes de um grande “buraco” no Sol que tem quase o dobro do diâmetro da Terra.

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A gigantesca mancha solar foi fotografada em 2015, mas graças às novas imagens, os cientistas agora podem estudar seu centro escuro e contorcido em novos detalhes – o que ajuda a entender melhor a misteriosa física que alimenta a estrela. As manchas solares são características normais que se desenvolvem sobre a superfície do Sol quando seu campo magnético se torna extremamente concentrado em determinados locais.

 

É por isso que as manchas solares parecerem mais escuras nas imagens e podem levar a enormes erupções solares que explodem o material do Sol no espaço – as tempestades solares que provocam auroras espetaculares aqui na Terra – e podem interferir em nossas telecomunicações. Temos muitos telescópios que observam essas manchas solares se formando em diferentes comprimentos de onda de luz, mas os pesquisadores usaram um telescópio para fotografá-las usando comprimentos de onda de rádio, revelando detalhes nunca antes vistos.

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Para entender completamente o Sol, precisamos estudá-lo em todo o espectro eletromagnético, incluindo a porção milimétrica e submilimétrica que ALMA pode observar” disse Tim Bastian, um astrônomo do US National Radio Astronomy ObservatoryALMA é geralmente usado para detectar ondas de rádio de galáxias distantes, mas também foi projetado para olhar diretamente para o Sol. E isso significa que ele pode detectar comprimentos de onda de rádio que nenhum outro telescópio na Terra foi capaz de pegar.

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Esses dois comprimentos de onda são de 1,25 milímetro e 3 milímetros. Ambos os comprimentos de onda sondam a cromosfera do Sol, que é a área logo acima da superfície que vemos na luz visível. Mas as imagens de 1,25 milímetro capturadas por ALMA mostram uma camada da cromosfera que é mais profunda do que as imagens com comprimento de onda de 3 milímetros. E curiosamente, as fotos são surpreendentemente diferentes, mostrando que as temperaturas da cromosfera abaixo das manchas solares mudam dependendo de quão profundo elas ficam.

 

Essa visão de dois níveis da cromosfera revela detalhes que nunca foram vistos anteriormente. A equipe agora espera que o telescópio ajude a descobrir exatamente por que esses dois níveis da cromosfera têm diferentes temperaturas, e como isso pode influenciar a formação de manchas solares – um processo que ainda não é devidamente compreendido.

 

Entender o aquecimento e a dinâmica da cromosfera é uma das principais áreas de pesquisa que serão abordadas no futuro usando ALMA”, disse a Organização Espacial Europeia (ESO).

[ Science Alert / NRAO ] [ Fotos: Reprodução / Science Alert ]

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