Pode-se dizer que nosso coração existe de maneira isolada, bombeando ferozmente o sangue enquanto o resto de nossas vísceras permanece perfeitamente imóvel.
Cada batida causa um pequeno tremor à medida que o sangue se move, e agora, por meio de uma nova técnica de ressonância magnética, pesquisadores nos EUA e Nova Zelândia conseguiram capturar esse efeito no cérebro em tempo real.
Eles amplificaram o efeito para observarmos com mais clareza como tudo funciona. Mas, muito além de fascinante, a técnica pode fornecer uma ferramenta muito útil para ajudar no diagnóstico de condições difíceis de serem detectadas, como aneurismas e concussões (lesão cerebral causada por uma pancada na cabeça ou uma agitação violenta da cabeça e do corpo), segundo informações da Science Alert.
A maneira como o método funciona envolve o fornecimento de uma linha base para o movimento normal do cérebro, que pode ajudar os médicos a identificar qualquer coisa incomum.
O movimento do cérebro no momento em que o coração bombeia o sangue para dentro dele é, na realidade, algo extremamente diminuto, cerca de 10 e 150 micrômetros, menor do que a largura do cabelo humano. Logo, este pequeno movimento é muito difícil de ser capturado.
Pensando nisso, a equipe, composta por cientistas de Stanford, Stevens Institute of Technology e Universidade de Auckland, encontraram uma maneira de ampliá-lo.
Eles chamam a técnica de ressonância magnética baseada em fase, e levou dois anos para ser refinada. Ela funciona combinando pulsômetro, ressonância magnética e um algoritmo desenvolvido no MIT para amplificar o movimento em vídeos normais.
O paciente usa o pulsômetro, que permite aos pesquisadores coordenar o batimento cardíaco com as imagens do cérebro, e o algoritmo é aplicado à gravação do movimento do sangue e do líquido cefalorraquidiano através do cérebro.
Aparentemente, isso dá aos médicos uma melhor visibilidade do que o método, particularmente nas áreas que mais se movem.
Usando a nova técnica, tais regiões mostraram uma redução significativa em artefatos de vídeo, como florescimento e sombreamento. Ela também revelou movimentos sutis em outras regiões do cérebro que não haviam sido observadas antes.
Para testar a abordagem, a equipe convidou duas pessoas: uma saudável e outra com uma condição chamada malformação de Chiari Tipo I, em que o tecido cerebral se estende para dentro do canal vertebral devido à má formação do crânio.
Quando comparado ao indivíduo saudável, o cérebro do paciente com Chiari mostrou significativamente mais movimentos em dois locais.
Os pesquisadores agora planejam usar a técnica em pacientes com uma ampla gama de condições, incluindo aneurisma, hidrocefalia, concussões e anormalidades na estrutura do cérebro, a fim de observar diferentes formas de movimentos.
Segundo eles, uma melhor visualização e compreensão das propriedades biomecânicas do cérebro pode levar à prevenção, diagnóstico precoce ou monitoramento de distúrbios cerebrais.
Os resultados do estudo foram publicanos na revista Magnetic Resonance in Medicine.
Fonte: Science Alert / Online Library Fotos: Reprodução / Science Alert