Covid-19 pode envelhecer em 10 anos o cérebro de alguns pacientes, diz estudo com 84.000 pessoas

Ainda de acordo com o estudo, a doença pode causar danos à capacidade cognitiva.

de Redação Jornal Ciência 0

A Covid-19 está demonstrando impactar negativamente a capacidade cognitiva em um número significativo de pessoas que foram infectadas. Um novo estudo, do Imperial College London, sugere que alguns pacientes podem observar um declínio na cognição equivalente ao envelhecimento do cérebro em aproximadamente 10 anos.

A pesquisa, feita com 84.000 pacientes e conduzida em Londres, revelou que alguns casos graves mostram que a infecção com o novo coronavírus “está ligada a déficits cognitivos substanciais por meses”, relatou a agência de notícias Reuters.

O relatório mostrou que, em alguns casos, as pessoas que se recuperaram do vírus continuaram a apresentar déficits cognitivos significativos.

No início deste mês, um relatório da Universidade de Harvard observou que cerca de 1/3 dos pacientes que estavam em unidades de terapia intensiva devido a Insuficiência Respiratória Aguda experimentaram comprometimento cognitivo equivalente a pessoas que sofreram lesão cerebral traumática. As deficiências incluíam lacunas de memória, problemas de atenção e problemas com funções simples.

De acordo com os dados obtidos pelo novo estudo, aqueles que foram hospitalizados com Covid-19 demonstraram sintomas mais graves de declínio cognitivo. Os piores casos mostraram impactos equivalentes ao declínio médio de 10 anos no desempenho global entre as idades de 20 a 70 anos.

Embora o estudo do Imperial College London pareça preocupante, a Reuters observou que alguns pesquisadores sugerem considerar os dados com cautela.

Joanna Wardlaw, professora de neuroimagem aplicada na Universidade de Edimburgo, disse à agência de notícias que a função cognitiva dos pacientes que participaram do estudo não era conhecida antes de sua infecção por Covid-19.

Apesar desses pacientes poderem ter experimentado algum declínio cognitivo, Wardlaw disse que não se sabe quanto tempo o problema pode durar.

Outra crítica ao estudo observa que os pesquisadores não só não compararam as pontuações antes e depois do teste, mas também confiaram na honestidade dos pacientes.

Derek Hill, professor de ciência da imagem médica na University College London, disse à Reuters que muitas das pessoas que participaram do estudo relataram ter sido infectadas com Covid-19 e não necessariamente receberam um teste positivo.

“No geral (esta é) uma pesquisa intrigante, mas inconclusiva, sobre o efeito da Covid-19 no cérebro”, disse Hill à Reuters.

“À medida que os pesquisadores buscam entender melhor o impacto de longo prazo da doença, será importante investigar mais a fundo até que ponto a cognição é afetada nas semanas e meses após a infecção, e se o dano permanente à função cerebral resulta em algumas pessoas”.

A ciência sabe que infecções causadas por outros vírus podem levar à diminuição das funções do sistema nervoso central, gerando impactos diretamente na perda de atenção.

Além disso, também é sabido que pessoas que foram contaminadas com vírus “primos” do coronavírus (como o vírus da SARS e da MERS), podem desenvolver fadiga persistente, névoa cerebral (dificuldade em reunir pensamentos), além de problemas cardíacos, respiratórios e neurológicos em longo prazo.

Fonte(s): Diário de Notícias / BioSpace Foto(s): Diário de Notícias

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