Na Sibéria, “Porta para o Submundo” não para de aumentar e revela florestas antigas

de Merelyn Cerqueira 0

Segundo uma nova pesquisa, uma das maiores crateras da Sibéria, conhecida como a “porta para o submundo” pelo povo nativo Yakutian, está crescendo tão depressa que antigas florestas e carcaças de 200 mil anos estão sendo descobertas.

 

A “Porta do Inferno” é conhecida oficialmente como Batagaika e é um “termocarste”, um tipo de solo que é caracterizado por ter superfícies irregulares com cavidades alagadiças causadas pelo derretimento do permafrost, ou pergelissolo, que é o tipo de solo encontrado na região do Ártico. Nos últimos anos, muitos desses buracos têm aparecido pela Sibéria, mas os pesquisadores acreditam que essa possa ser uma espécie de anomalia.

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A cratera Batagaika é a maior desse tipo existente no mundo, com quase 1 quilômetro de comprimento e 86 metros de profundidade, está localizada a cerca de 660 quilômetros da capital da Sibéria, Yakutsk. Uma pesquisa do Instituto Alfred Wegener na Alemanha apresentada no ano passado por Frank Günther revelou que a cratera está em crescimento contínuo e aumentou em média 10 metros por ano. Nos anos em que temperaturas maiores foram registradas, o crescimento foi de até 30 metros por ano.

 

A formação desta cratera teve início após uma grande parte da floresta local ser desmatada em 1960. Como solo não fica mais sombreado nos meses mais quentes do verão, consequentemente o permafrost derreteu fazendo com que a terra entrasse em colapso. No ano de 2008 aconteceram grandes enchentes na região, o que fez o derretimento piorar,aumentando o tamanho da cratera.

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Existe uma preocupação sobre a possibilidade de a cratera passar a liberar o gás carbônico acumulado no subsolo há milhares de anos se continuar aumentando nesse nível. As estimativas globais de carbono armazenado no permafrost são parecidas com a quantidade que está na atmosfera”, disse Günther à BBC.

 

Apesar disso tudo, existe um lado bom nessa história. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Sussex, na Inglaterra, que foi publicado na revista Quaternary Research, relatou que as camadas da cratera podem revelar informações climáticas de 200 mil anos. Antigas amostras de pólen, restos congelados de um boi, um mamute, um cavalo de 4.400 anos e restos de florestas enterradas apareceram com o colapso desta cratera. Esses sedimentos descobertos podem ser úteis para entender como o clima na Sibéria mudou no passado e como pode mudar no futuro.

 

A última vez que aconteceu essa queda no nível de gelo no local foi há 10 mil anos, quando a Terra entrou em transição na última Era de Gelo. Atualmente, o nível dos gases de efeito estufa na atmosfera da Terra é de 400 partes por milhão de CO2 um número muito maior de quando a última Idade do Gelo terminou, quando marcava 280 partes por milhão.

 

O local de Batagaika contém uma sequência notavelmente grossa de depósitos de permafrost, que incluem duas camadas ricas em madeira interpretadas como camadas de floresta que indicam climas passados tão quentes ou mais quentes do que o de hoje”, disse o pesquisador Julian Murton, no ano passado. As idades exatas dos sedimentos que foram expostos na cratera Batagaika não são totalmente conhecidas e cientistas e pesquisadores estão planejando perfurar a região para coletar mais amostras e compreender melhor o que realmente aconteceu no passado.

[ Science Alert ] [ Fotos: Reprodução / Science Alert ]

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