7.000 bolhas de metano acumuladas sob o solo da Sibéria poderiam explodir

de Merelyn Cerqueira 0

No ano passado, pesquisadores da remota ilha de Bely Island, na Sibéria, ficaram surpresos ao descobrirem que o solo do local estava repleto de metano, a ponto de o chão parecer mole. Um vídeo do caso foi publicado no YouTube pelo jornal local Siberian Times, deixando muita gente impressionada com a aparente “vida própria” do solo.

Jornal Ciência no seu WhatsApp

Clique aqui (61) 98302-6534, mande “olá” e salve nosso número nos seus contatos. Você receberá notícias do Jornal Ciência diretamente no seu celular.

À época, foram identificadas apenas 15 bolhas. No entanto, pesquisas mais recentes feitas na região sugeriram a existência de um número muito mais amplo, que pode ser de cerca de 7.000, de acordo com informações da Science Alert.

A preocupação agora é que essas bolhas de metano explodam a qualquer momento. “Com o tempo, a bolha explode, liberando o gás”, disse Alexey Titovsky, diretor do departamento para a Ciência e Inovação de Yamal. “É assim que os gigantes funis se formam”.

Sobre “funis gigantes” ele se refere a imensas fendas e crateras que têm aparecido na Sibéria. Trata-se de armadilhas mortais espalhadas pela paisagem. Agora, o problema é se todas essas novas 7.000 bolhas explodirem sem aviso. 

Em 2016, os pesquisadores ambientais Alexander Sokolov e Dorothee Ehrich decidiram perfurar uma dessas bolhas para ver do que eram formadas. Eles descobriram que o ar de dentro continha 1.000 vezes mais metano do que o ar circundante, bem como 25 vezes mais dióxido de carbono.

Em 2014, uma investigação feita em uma das crateras, de 30 metros de profundidade, localizada na península de Yamal, descobriu que o ar próximo ao fundo do buraco continha concentrações excepcionalmente altas de metano – até 9,6%. Para efeito de comparação, o ar circundante possui apenas 0,000179% de metano.

Os pesquisadores acreditam que essas bolhas de metano possam estar associadas a uma recente onda de calor que provocou o degelo da permafrost da tundra da Sibéria. 

A camada se tornou famosa por sua incrível capacidade de preservar coisas ao longo de milhares de anos, que inclui animais de 12.400 anos de idade ou 30.000.

Um estudo realizado em 2013 descobriu que um aumento da temperatura global em 1,5° C seria suficiente para dar início a um período de degelo sem precedentes. Logo, e justamente graças a verões cada vez mais quentes, os pesquisadores suspeitam que esse período de mudança já esteja acontecendo.

“Sua aparência em latitudes tão altas provavelmente está ligada ao descongelamento do permafrost, que, por sua vez, está ligado ao aumento da temperatura global, especialmente no norte da Eurásia, durante várias últimas décadas”, disse um porta-voz da Academia Russa de Ciências.

De acordo com Vasily Bogoyavlensky, da Academia Russa de Ciências, e que há anos estuda essas bolhas, elas são datadas da era Cenomaniana, da época do Cretáceo Superior (há 100,5 e 93,9 milhões de anos) e foram identificadas como antigos e rasos reservatórios de gás, situados a 500 e 1.200 metros de profundidade.

“O gás subindo à superfície através dos sistemas de falhas e rachaduras provoca pressão nas camadas da permafrost, quebrando-as através das partes debilitadas e formando as nascentes de gás e crateras de expansão”, escreveu Bogoyavlensky em uma edição de 2015 do GEO ExPro. 

“Basicamente, após um longo período de crescimento, a parte superior da bolha (o solo que cobre o núcleo de gelo) rachaduras e o núcleo de gelo derretem, formando um lago redondo. Sabe-se que às vezes estes montes de gelo explodem sob excesso pressão”, acrescentou.

Contudo, há de se considerar que são necessárias maiores pesquisas e que o estudo em questão seja revisado por pares, para que possamos saber mais sobre essas evidências que estão vinculando as bolhas de metano às mudanças climáticas.

Fonte: Science Alert Foto: Reprodução / Science Alert

Jornal Ciência