Astrônomos descobrem que Titã, maior lua de Saturno, está repleta de rios de metano

de Merelyn Cerqueira 0

A partir de dados coletados pela sonda Cassini, da NASA, uma equipe internacional de pesquisadores descobriu que a maior lua de Saturno, Titã, está cheia de cânions profundos repletos de hidrocarbonetos líquidos.

Segundo o membro da equipe, Alex Hayes, da Universidade de Cornell, nos EUA, nosso planeta é quente, rochoso e com rios de água, enquanto que Titã é fria e com rios de metano. “É notável que encontremos características semelhantes em ambos os mundos”, disse.

Esses canais e cânions formam uma rede fluvial chamada Vid Flumina, com cada um deles medindo aproximadamente 0,8 quilômetros de largura, e entre 244 ou 597 metros de profundidade.

Toda rede fluvial parece fluir para o maior mar Ligeia Mare, composto por hidrocarbonetos líquidos de metano. No entanto, ainda são necessários mais estudos para entender toda a corrente dos rios e fluxos.

A descoberta em questão foi feita a partir de uma coleta de dados realizada pela sonda Cassini em 2013. Apesar de ter nos provido dados da topografia de Titã, o exato funcionamento e formação dos cânions ainda são um mistério.

Segundo Hayes a estreita largura e profundidade deles implicam em uma rápida erosão, potencialmente causada pelo aumento e redução dos níveis do mar. Porém, tal teoria vem acompanhada de uma questão relevante: para onde foi o material corroído pela erosão?

Na Terra, por exemplo, a formação de um desfiladeiro é um processo longo, mas simples, e envolve rios que esculpem lentamente uma superfície, levando camadas dela para seu leito até que os cânions estejam finalmente formados. O sedimento raspado é lançado para dentro do leito do rio e arrastado para se juntar a massas maiores de água, como lagos ou oceanos.

Em Titã, por outro lado, ainda não ficou claro como os cânions se formaram. Se foi por um processo de erosão semelhante ao da Terra ou graças aos impactos e atividades geológicas que ocorreram abaixo da superfície.

Segundo Valerio Paggiali, da Universidade Sapienza, na Itália, é provável que uma combinação de forças tenha contribuído para a formação dos cânions profundos. “O que está claro é que qualquer descrição da evolução geológica de Titã precisa explicar como eles se formaram”.

A compreensão do funcionamento dos rios de metano fornecerá um entendimento muito maior sobre como a lua se formou. Cientistas acreditam que ela poderia ser o lar de microrganismos capazes de prosperar em ambientes mais hostis, nesse caso, em uma atmosfera repleta de metano.

Quando Cassini terminar sua missão, que já dura quase 20 anos, a NASA pretende enviar submarinos autônomos para explorar os rios e mares de Titã, considerada promissora para abrigar vida alienígena. O estudo em questão foi publicado na Geophysical Research Letters.

[ Science Alert ] [ Foto: Reprodução / NASA ]

Jornal Ciência no seu WhatsApp

Clique aqui (61) 98302-6534, mande “olá” e salve nosso número. Você receberá primeiro as notícias do Jornal Ciência em seu celular.

Jornal Ciência