Na China, mancha de gelo permanece misteriosamente intacta mesmo durante os dias mais quentes

de Merelyn Cerqueira 0

Em uma pesquisa publicada recentemente na Scientific Reports, pesquisadores relataram a existência de uma misteriosa mancha de gelo na China, que permanece congelada até durante os verões mais quentes.

Jornal Ciência no seu WhatsApp

Clique aqui (61) 98302-6534, mande “olá” e salve nosso número nos seus contatos. Você receberá notícias do Jornal Ciência diretamente no seu celular.

As manchas de permafrost não são incomuns, especialmente em áreas frias ou elevadas do planeta. No entanto, o fato foi descoberto em Pingquan County, no norte da China, sob condições tidas como atípicas, segundo informações da Science AlertA mancha chamou atenção dos cientistas no verão de 2011, quando um dos moradores acabou tropeçando em um pedaço de solo congelado, a uma altitude de apenas 900 metros acima do nível do mar e com temperaturas superiores a 26 graus Celsius.

mancha-de-gelo-aparece-misteriosamente-nos-dias-mais-quentes_2

O permafrost, que não é tão incomum, trata-se de uma formação de solo congelado que permanece assim em temperaturas em ou abaixo de zero por pelo menos dois anos consecutivos. Naturalmente, ocorre próximo às regiões polares, sendo encontrado em aproximadamente um quarto de toda a superfície do hemisfério norte.

No caso da ocorrência da China, a descoberta foi tida como “anomalia de temperatura de terreno baixo”, porque está localizada a mais de 600 quilômetros ao sul do limite meridional da i contínua do continente eurasiano, e a menos de 1 km acima do nível do mar. Tal anomalia não é pequena. O pedaço de solo congelado mede cerca de 80 metros de comprimento, 20 m de largura e tem profundidade de 10 m. Ainda, de acordo com os pesquisadores, não faz qualquer sentido que permaneça congelada durante o verão.

A descoberta foi considerada interessante o suficiente para chamar a atenção de pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências, que dedicaram quatro anos de observações à área. Após a realização de uma série de medições regulares de temperaturas, a equipe descobriu que a capacidade do solo permanecer congelado se dá em razão de sua composição e inclinação exclusiva – uma camada de 30 cm de solo de turfa seguida de uma camada de permafrost com outra de blocos de areia.

mancha-de-gelo-aparece-misteriosamente-nos-dias-mais-quentes_3

A areia funciona como uma espécie de isolante, que mantém o pedaço de solo frio e impede a troca de calor durante o verão. “Como o ar frio é mais denso que o quente, ele tende a deslocar o ar mais quente para os espaços porosos entre os blocos, causando sua convecção durante o inverno. Enquanto que no verão, não há essa transferência de calor por convecção e a troca de calor é apenas por condução”, escreveram os pesquisadores no estudo.

Essencialmente, o desequilíbrio das perdas de calor no inverno e absorção durante o verão produzem uma perda líquida dele [calor] em torno de um período de um ano, reduzindo assim a temperatura do solo”. Além disso, a camada de turfa também impulsiona esse efeito. Durante o verão, as ocorrências de chuvas são maiores, portanto, esse alto teor de umidade congela durante o interno. Esse tipo de solo também é cerca de 1 a 2 vezes maior condutor térmico do que a versão seca. Isso significa que, nos dias mais frios, o solo retém esse frio, enquanto que nos mais quentes age como isolante, mantendo o calor fora.

A pesquisa, além de fornecer uma resposta ao mistério, também oferece uma solução em engenharia inteligente que pode ajudar a proteger estruturas construídas em cima de permafrost, dada a condição de aquecimento do Planeta.

[ Science Alert ] [ Fotos: Reprodução / Science Alert ]

Jornal Ciência