Espécie de aranha minúscula atravessou um oceano inteiro em “jangada” para chegar à Austrália, diz estudo

de Merelyn Cerqueira 0

Enquanto que contos épicos de aventuras oceânicas são reservados apenas aos marinheiros de duas pernas, uma odisseia de oito patas tem potencial para ser considerada a mais ousada das aventuras marítimas.

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Segundo um estudo publicado recentemente no periódico PLOS One, uma pequena aranha cientificamente conhecida como Moggridgea rainbowi pode ter atravessado um oceano inteiro para chegar à Austrália. Com informações da Science Alert.

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Anteriormente, acreditava-se que a pequenina aranha chegou ao país como resultado da dissolução do antigo supercontinente Gondwana, há quase 100 milhões de anos.

“A sabedoria convencional sugeriu que as aranhas se separaram de suas relações sul-africanas com o evento de separação da África de Gondwana há cerca de 95 milhões de anos”, explicou a pesquisadora Sophie Harrison, da Universidade de Adelaide, na Austrália.

“Mas, nossa pesquisa mostrou que a divergência de M. rainbowi com as aranhas Moggridgea africanas ocorreu entre 2 e 16 milhões de anos, bem depois da separação África-Gondwana“.

Para o estudo, Harrison e seus colegas realizaram uma análise genética comparando as aranhas de Kangaroo Island, na Austrália, e África do Sul. Ao sequenciar o DNA de cada espécie e comparar conjuntos de genes, a equipe descobriu que ambas pertenciam ao mesmo gênero, datados de sua separação histórica entre dois e 16 milhões de anos atrás.

Como uma explicação de viagem terrestre era inviável para o caso, os pesquisadores consideraram que os humanos, de alguma forma, as teriam introduzido na Austrália.

No entanto, evidências sugerem que a viagem ocorreu antes mesmo da existência dos primeiros humanos. Logo, quando descartamos ambas as possibilidades, a única maneira possível de explicar essa viagem de 10 mil quilômetros é pelo mar.

“Logo de cara isso parece impossível”, disse um dos integrantes da equipe, o biólogo evolutivo Andrew Austin. “Mas, há precedentes de tais viagens oceânicas. A Moggridgea também é encontrada nas ilhas vulcânicas dos Comores, a 340 km da África continental, no entanto, esta é uma distância relativamente curta em comparação com os 10.000 km da África do Sul para a Ilha Kangaroo”.

Os pesquisadores especulam que as pequenas aranhas foram capazes de viajar em pequenas “jangadas”, feitas a partir de pequenos pedaços de terra, detritos ou vegetação, conforme estes eram liberadas de suas origens e se afastavam em direção ao gigante horizonte azul do oceano.

No entanto, a grande ironia de tudo isso é que as aranhas em questão são conhecidas por sua natureza sedentária, já que costumam se mover apenas alguns metros durante toda a vida, mantendo-se próximas as suas mães.     

“Embora possa ser difícil de imaginar, essas aranhas podem ser realmente adequadas para esse tipo de viagem. Elas constroem jangadas bem ajustados, o que cria um microclima seguro e oferece proteção durante a jornada. Elas também têm uma taxa metabólica muito baixa, o que significa que possuem requisitos mínimos de comida e recursos durante a viagem”, concluiu Harrison.

Fonte: Science Alert Fotos: Reprodução / Science Alert

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