Contato com tecnologia na terceira idade estimula o cérebro e combate a depressão, segundo especialistas

de Gustavo Teixera 0

Se você acha que usar WhatsApp, fazer chamadas de vídeo e pagar contas pelo aplicativo de celular é coisa de jovem, está na hora de rever seus conceitos.

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De acordo com a médica geriatra e presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia do Estado de São Paulo, Maisa Kairalla, a inclusão digital para pessoas com mais de 60 anos traz benefícios positivos e é mais do que necessária.

“O acesso aos dispositivos digitais estimula o cérebro e, nesse sentido, os ganhos cognitivos são vários. Há pesquisas que mostram benefícios para aspectos como memória e até depressão, que nós observamos muito no consultório. Na internet, o idoso interage e socializa mais. Isso faz bem para o comportamento dele, já que ele fica mais ativo e se integra à realidade de hoje, em que boa parte da rotina envolve tecnologia”, disse Kairalla.

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No país, o número de pessoas acima de 50 anos que estão envolvidas com novas tecnologias aumenta cada vez mais.

Uma pesquisa realizada pelo IBGE revelou que em 2016 14,9% dos idosos brasileiros utiliza a internet, sendo que há 10 anos atrás esse número era de apenas 7,3%. E o número de idosos que utilizam o celular saltou de 16,8% em 2005 para 55,6%. 

A gerontóloga da Cora Residencial Senior, Camilla Vilela, concorda que os dispositivos tecnológicos trouxeram autonomia para as pessoas idosas. Além disso, ela também aponta que o contato com a tecnologia melhora as capacidades motoras e visuais para aqueles com mais de 60 anos.

“Só o fato de aprender algo novo, independentemente de ser no computador ou celular, já é um estímulo cognitivo para eles. Fora isso, a interação com os dispositivos tecnológicos acaba trabalhando estimulação motora, percepção visual, memória, atenção e processamento de informações”, disse Vilela. 

Para o aposentado Geraldo Rocco, de 80 anos, que se locomove em uma cadeira de rodas, o contato com essas tecnologias ajudou muito a sua vida, pois através do celular ele pode pagar contas e não precisa sair de casa.

“Hoje, eu faço qualquer transação pelo site do banco. A vida ficou muito mais fácil. Meu celular, por enquanto, não é smartphone, mas eu pretendo trocá-lo em breve para falar com meus filhos pelo WhatsApp”, disse Rocco. 

Além de muitos benefícios, essas tecnologias aproximam os idosos de seus familiares, por exemplo, através do WhatsApp, e isso combate o isolamento do mundo social, que é uma tendência para os idosos.

“Esse isolamento acontece depois dos 60 anos por vários motivos. Às vezes por limitação física, por abandono da família ou porque os parentes e amigos moram longe. O problema é que essa solidão, muitas vezes, faz com que eles percam as trocas com o mundo e até leva a doenças como depressão. O bom da tecnologia é que ela funciona como uma ferramenta eficiente de interação”, disse psicóloga Blenda de Oliveira, da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. 

Um exemplo disso é o aposentado Julio Miskolci, de 81 anos que faz vídeo chamadas para falar com seu filho que mora no Catar. Ele também usa o WhatsApp para falar com seus netos.

“Comecei a mexer há alguns anos. Meu filho deu algumas dicas, e eu fui seguindo”, conta Miskolci. Ainda, de acordo com Blenda, os idosos que têm contato com outras pessoas possuem melhor qualidade de vida. Segundo dados do IBGE 11,1% da população brasileira com mais 60 anos se declara depressiva. 

Mas, a psicóloga alerta que o abuso e o exagero da utilização de tecnologia não são tão seguros assim:

“É sempre bom observar a forma como essas tecnologias são utilizadas. Elas não devem substituir o contato presencial com as pessoas e a atividade física, por exemplo. Caso contrário, a tecnologia pode levar a um outro tipo de isolamento, igualmente preocupante”.

Fonte: R7 Fotos: Reprodução / R7

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