Astrônomos identificam fonte de misteriosos sinais de rádio no espaço

de Merelyn Cerqueira 0

As chamadas Rajadas Rápidas de Rádio (Fast Radio Bursts – FRBs), basicamente, e como o nome sugere, consistem em pulsos de ondas de rádio de curta duração, mas extremamente potentes, provenientes do espaço exterior.

 

Enquanto que duram apenas alguns milissegundos, podem gerar uma energia de 500 milhões de sóis. No entanto, desde que foram identificadas na última década, ninguém sabia explicar de onde exatamente vinham e o que as causavam. Agora, pela primeira vez, de acordo com informações da Science Alert, cientistas conseguiram rastrear a origem de uma dessas FRBs, chegando a uma pequena galáxia anã localizada muito além de nossa Via Láctea. Tal descoberta fornece uma forte evidência quanto à fonte desses misteriosos fenômenos astrofísicos.

 

Segundo um dos pesquisadores envolvidos na descoberta, Shami Chatterjee, da Universidade de Cornell, agora se sabe que a explosão “vem de uma galáxia anã a mais de três bilhões de anos-luz da Terra”. A primeira FRB foi identificada em 2007, mas desde então os cientistas estão à procura da origem dos misteriosos sinais. Apesar de estimarem que existam cerca de 2.000 dessas rajadas disparando em todo o Universo todos os dias, elas são tão curtas que captá-las é algo extremamente difícil. Os poucos sinais detectados até hoje eram formas erráticas que vinham de lugares diferentes, o que dificultou ainda mais a identificação de uma provável fonte.

 

No entanto, no ano passado, os pesquisadores descobriram a primeira evidência de uma repetição da rajada FRB-11, oriunda de uma explosão muito além de nossa Via Láctea. Então, no mês passado, mais seis dessas foram detectadas vindo do mesmo local. Tais sinais de repetição foram nomeados como FRB 121102. Após 83 horas de observação, utilizando o telescópio Very Large Array (VLA), no Novo México, os pesquisadores finalmente conseguiram identificar uma origem mais precisa. Surpreendentemente, os sinais estavam vindo de uma galáxia anã débil, localizada a mais de 3 bilhões de anos-luz da Terra.

 

Nós somos os primeiros a mostrar que isso é um fenômeno cosmológico, e não algo que ocorre apenas em ‘nosso quintal”, disse o pesquisador Casey Law, da Universidade da Califórnia. “Somos os primeiros a ver onde está acontecendo essa coisa toda, nesta pequena galáxia, que eu acho que é uma surpresa”, acrescentou ele dizendo que o objetivo agora é descobrir o porquê.

 

Anteriormente, a principal hipótese para o fenômeno era de que as explosões eram resultado de uma colisão cataclísmica única entre duas estrelas de nêutrons, em um processo semelhante à formação de um buraco negro. No entanto, essa ideia agora foi descartada. Além de detectar FRBs repetidamente, a equipe observou uma fonte contínua e persistente de emissões de rádios mais fracas na mesma região. Nós pensamos que as explosões e a fonte contínua provavelmente estariam vindo de um mesmo objeto, ou que, de algum modo, seriam fisicamente associadas a ele”, disse Benito Marcote, membro da equipe do Institute for VLBI ERIC, na Holanda.

Os principais candidatos para a fonte desses sinais são jovens estrelas de nêutrons – objetos densos que se formam após o colapso de uma estrela e que emitem pulsos de rádio regulares enquanto se movimentam. Uma das hipóteses principais da equipe é que essas explosões poderiam ser produzidas por magnetars altamente magnéticas – um tipo de estrela de nêutrons cercada pelo material magnético ejetado pela explosão de uma supernova. Encontrar a galáxia hospedeira deste FRB, e sua distância, é um grande passo, mas ainda temos muito mais a fazer antes de entendermos o que são essas coisas”, disse Chatterjee.

 

As descobertas foram apresentadas recentemente em uma reunião da American Astronomical Society, realizada no Texas, EUA, e publicadas em artigos nas revistas Nature e Astrophysical Journal Letters.

[ Science Alert ] [ Fotos: Reprodução / Science Alert ]

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