Astrônomos criam um novo mapa da Via Láctea com 187 milhões de pixels

de Bruno Rizzato 0

Ao olharmos para o céu à noite, vemos apenas uma pequena parte da nossa galáxia, por conta das obstruções – como a cobertura de nuvens e a poluição luminosa.

Jornal Ciência no seu WhatsApp

Clique aqui (61) 98302-6534, mande “olá” e salve nosso número nos seus contatos. Você receberá notícias do Jornal Ciência diretamente no seu celular.

Por isso, o Observatório Europeu do Sul (ESO) existe unicamente para analisar o Universo além das nuvens que tapam nossa visão. A mais recente façanha da equipe do ESO, que está concluindo o projeto APEX Telescope Large Area Survey of the Galaxy (ATLASGAL), nos dá uma imagem totalmente nova da Via Láctea por toda sua extensão, quatro vezes maior do que qualquer outra imagem.

A nova imagem – uma espécie de mapa estelar – foi capturada pelo telescópio Atacama Pathfinder Experiment (APEX), localizado 5.100 metros acima do nível do mar, na região do Atacama, no Chile. Além de ser esteticamente interessante, o mapa cobre uma área de 140 graus de comprimento e três graus de largura, e as informações que possui são explicadas em mais de 70 artigos diferentes.

Essa pesquisa também é a primeira a capturar o plano galáctico – onde a maioria da massa da nossa galáxia está localizada – em comprimentos de onda submilimétricas, que permite aos cientistas imagens de gases e nuvens de poeira com temperaturas um pouco acima do zero absoluto. “Arrefecida a apenas uma fração acima do zero absoluto, a câmera detecta pequenas emissões de bandas de gás e poeira escura que não podem ser vistas a olho nu”, disse Erin Blakemore, em um artigo do Smithsonian.com.

Para capturar a imagem, a equipe usou instrumentos supersensíveis, tais como a Large Bolometer Camera (LABOCA). “Ela mede a radiação que entra registrando a pequena ascensão na temperatura, que faz com que seus detectores possam detectar a emissão da poeira fria e escura que enegrece a luz estelar”, explicou o ESO. Esses resultados também foram reforçados por dados recolhidos pelo Satélite Planck, da Agência Espacial Europeia (ESA), que permite aos astrônomos realizar uma análise muito maior do espaço, com mais riqueza de detalhes.

O ATLASGAL permitiu-nos ter um olhar novo e transformacional no meio interestelar denso de nossa própria galáxia, a Via Láctea. A nova versão do levantamento completo abre a possibilidade de minar esse conjunto de dados maravilhosos para novas descobertas. Muitas equipes de cientistas já estão usando os dados do ATLASGAL para planejar uma busca detalhada pelo ALMA (Atacama Large Millimeter/Submillimeter Array)”, explicou Leonardo Testi, um membro da equipe do ATLASGAL.

A pesquisa também oferece um novo olhar para a formação das estrelas, através da observação de ações do passado, pois a luz não reflete exatamente o que existe atualmente em certas distâncias. Em outras palavras, analisar essa pesquisa é como entrar em uma máquina do tempo. Mesmo assim, o ATLASGAL permitirá que pesquisadores de todo o mundo possam descobrir como funciona nossa galáxia e sua composição. Com pesquisas mais detalhadas, aprendemos mais sobre o nosso passado galáctico e como será o futuro do nosso Sistema Solar. Confira o mapa completo, clicando aqui!

[ Foto: Reprodução / ESO ]

Jornal Ciência