Hiperdontia: condição onde o número de dentes ocorre de modo excessivo

Estima-se que 4% da população tenha algum tipo de hiperdontia, mesmo que seja apenas um ou dois dentes extras

de Redação Jornal Ciência 0

Existe uma condição odontológica chamada hiperdontia que pode afetar qualquer pessoa, com mais frequência em homens — embora mulheres também possam ser acometidas.  

Jornal Ciência no seu WhatsApp

Clique aqui (61) 98302-6534, mande “olá” e salve nosso número nos seus contatos. Você receberá notícias do Jornal Ciência diretamente no seu celular.

Quando ocorre o desenvolvimento dos dentes pela primeira vez, surgem os dentes decíduos (chamados de dentes de leite), normalmente trocados dos 6 aos 12 anos — em média. Com o aparecimento dos dentes permanentes, o último processo de erupção dentária ocorre até aos 21 anos.

A quantidade padrão é que 20 dentes decíduos (de leite) e 32 dentes permanentes sejam desenvolvidos na arcada dentária. Mas, uma pessoa com hiperdontia, produz dentes em excesso — chamados de supranumerários.

A hiperdontia ocorre quando dentes supranumerários, ou seja, em excesso, desenvolvem-se e podem, em casos extremos, criar nova “linha de dentes”. A causa para o fenômeno é desconhecida pela ciência, mas estima-se que fatores genéticos podem aumentar a probabilidade de uma pessoa desenvolver.

Casos graves de hiperdontia podem ocorrer especialmente se o paciente possuir outras condições de saúde como síndrome de Ehler-Danlos, síndrome de Gardner, lábio leporino, fenda palatina, displasia cleidocranial e até mesmo síndrome de Down.  

Muitos dentes supranumerários não nascem, ou seja, não saem pela gengiva, mas podem atrasar a erupção dos dentes vizinhos ou até mesmo causar problemas dentários e ortodônticos. Para diagnosticar a hiperdontia que não fica exposta, mas está “escondida”, é necessária a realização de radiografias, como na imagem abaixo.

Um estudo publicado na revista European Journal of Dentistry, mostra que as taxas de hiperdontia são muito mais altas em homens do que mulheres, mas os motivos por essa predileção não estão claros.

A maioria dos casos é considerada leve, com um ou dois dentes supranumerários, que podem ser extraídos com tranquilidade, mas em casos graves, o paciente pode ter dentes permanentes tortos ou que não conseguem nascer. Em outros casos, a hiperdontia pode causar deformidades na face e distúrbios na fala.

Alguns estudos mostram que 4% da população possuem ao menos um dente supranumerário, conhecido popularmente como “dente encavalado” — denominado assim justamente por não possuir espaço na arcada.

A hiperdontia múltipla, ou seja, com maior número de dentes adicionais, é bastante rara. Existem relatos de pessoas com mais de 30 dentes adicionais, em associação a outras condições de saúde bucal, como a fenda labial (antigamente chamada de lábio leporino).

Existem evidências de que a causa da hiperdontia esteja relacionada com um componente genético de caraterística autossômica dominante. Isso pode representar uma condição genética hereditária. Acredita-se que quando um dos pais possui dentes excedentes, há 50% de chances de ocorrer o mesmo com os filhos.

Porém, alguns especialistas defendem a teoria de que a hiperdontia é causada pela hiperatividade da lâmina dental durante o desenvolvimento dentário. A lâmina dental é a região que abriga as células responsáveis pela formação dentária.

De acordo com especialistas, é preciso detectar os dentes supranumerários de forma antecipada, para que, além de evitar deformações estéticas, possa prevenir problemas funcionais e clínicos.

O único tratamento existente é a retirada dos dentes supranumerários, uma vez que eles normalmente atrapalham o nascimento dos dentes adjacentes. Quando estes dentes adicionais não são retirados, existe chance do aparecimento de tumores ou cistos, causando danos ainda maiores à saúde.

Jornal Ciência