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Falta de interesse em exercícios físicos pode ser genética

de Julia Moretto 0

Em algum momento da vida você deve ter se perguntado por que algumas pessoas vivem na academia enquanto outras não saem do sofá.

Os entusiastas fitness são mais propensos a manter dietas e rotinas de exercícios, enquanto os preguiçosos são mais propensos a assistir Netflix e comer fast food. Mas, uma nova pesquisa realizada pela American Physiological Society sugere que nossos genes podem influenciar o quanto apreciamos exercício.

Malhar pode aumentar os níveis de dopamina no cérebro, melhorando o humor e memória a longo prazo. Ela estimula sentimentos de prazer no cérebro, que contribuem para o bem-estar que um corredor pode experimentar logo após o exercício. Os estudos feitos em animais mostraram um aumento nos níveis de dopamina quando realizamos intensos exercícios aeróbicos, sugerindo que os seres humanos também podem aumentar a liberação de dopamina quando realizamos exercício em alta intensidade.

No entanto, muitas pessoas não obtêm esta sensação de prazer porque seus genes interferem na liberação de dopamina. “A variação dos genes receptores de dopamina, assim como alguns outros genes neurais, ajuda a explicar porque cerca de 25 por cento dos participantes desistem de exercício ou não exercer na quantidade recomendada“, disse Rodney Dishman, principal pesquisador do estudo e professor de Cinesiologia na Universidade da Geórgia.

Dishman e seus colegas começaram a estudar ratos de laboratório que foram criados para serem ativos ao mesmo tempo em que estudavam outros criados para serem inativos. Os pesquisadores descobriram que estes dois tipos de rato eram geneticamente diferentes em relação à atividade da dopamina. Em seguida, foi realizado um ensaio clínico com mais de 3.000 exemplares adultos que mostrou resultados semelhantes.

Segundo Dishman, atualmente, metade dos adultos nos EUA realizam exercícios físicos aeróbios suficientes; apenas 20 por cento consegue a quantidade recomendada de exercício aeróbico combinado com treinamento de força. Enquanto isso, cerca de um terço da população não pratica exercícios. Os pesquisadores sugerem que é a combinação de genes e de personalidade ajuda a explicar por que algumas pessoas têm um desejo natural de serem ativas.

Pesquisas anteriores mostram que há alguns traços genéticos que predispõem as pessoas a serem menos motivadas a praticar exercícios. Em 2013, um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Missouri, testou a disposição de ratos em suas rodas durante seis dias. Em seguida, eles criaram ratos que corriam mais frequentemente um com o outro e fizeram o mesmo com ratos “preguiçosos”. Este processo foi repetido 10 vezes. Os pesquisadores descobriram que todas as dez gerações dos ratos corredores executaram o exercício cerca de dez vezes mais do que os ratos preguiçosos, devido a diferenças genéticas entre os dois tipos.

Isso não significa que a nossa genética esteja predestinada a odiar exercícios. Evidentemente, podemos fazer nossas próprias escolhas. Em outras palavras, podemos religar o nosso cérebro e mostrar que o exercício pode ser uma experiência agradável e gratificante. “Quando as pessoas começam a ver o exercício como um dever ou obrigação, isso as coloca em um estado constante de insatisfação“, disse Dishman.

[ Medical Daily ] [ Foto: Reprodução / Pixabay

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