Jornal Ciência no seu WhatsApp

 

Clique aqui (61) 98302-6534, mande “olá” e salve nosso número. Você receberá primeiro as notícias do Jornal Ciência em seu celular.

Afinal, a homossexualidade é ou não uma questão biológica?

de Merelyn Cerqueira 0

Tem quem acredite que algumas pessoas já nascem homossexuais em razão da genética. Por outro lado, há quem diga que o fator ambiente possa influenciar na questão.

O fato é que, há muito essa problemática é discutida, e em um artigo para seu site, Dr. Drauzio Varella dissertou sobre o tema. Segundo ele, a princípio, a discussão é antiquada e “insistir nela é como discutir se a música que escutamos ao longe vem do piano ou do pianista”.

Genética x ambiente

Para os que defendem a teoria da origem genética para a homossexualidade, os argumentos vêm de pesquisas realizadas que encontraram uma concentração maior de homossexuais em determinadas famílias, bem como gêmeos univitelinos criados em lares diferentes que, mesmo separados, apresentaram a orientação. Ainda, mais tarde, graças aos avanços científicos, pesquisadores se propuseram a encontrar diferenças na morfologia do cérebro que explicassem o comportamento.

Por outro lado, os que defendem a ação do ambiente rejeitam completamente a teoria acima. Segundo eles, como o comportamento humano é extremamente complexo, é errado limitá-lo à expressão de alguns genes. O médico ressalta que a plasticidade é propriedade mais importante do nosso sistema nervoso central. Por ela, somos capazes de aprender todos os dias, independente do formato de rede de neurônios que herdamos de nossos pais. Assim, conforme crescemos, os impactos do meio em que vivemos provocam a alteração de uma personalidade “pré-estabelecida”, que no fim se torna irreconhecível.

Somos todos diferenteshomossexualidade_02

Cada indivíduo é um experimento único da natureza porque resulta da interação entre uma arquitetura de circuitos neuronais geneticamente herdada e a experiência de vida”, escreveu ele. Logo, ainda se considerarmos dois gêmeos geneticamente idênticos, eles, de nenhuma forma terão personalidades iguais, mesmo que sejam criados sobre as mesmas condições. Isso é explicado pela diferença na constituição dos circuitos dos neurônios. “Por isso, é impossível existir dois habitantes na Terra com a mesma forma de agir e de pensar”, ele lembra.

Para exemplificar melhor essa questão, ele propõe o cenário em que um recém-nascido saudável tem um dos olhos tampados por cerca de 30 dias. Como um olho foi estimulado pela luz ele enxergará corretamente, no entanto, o outro não. Quando nasceu, a criança tinha retinas idênticas, mas, ao deixar uma em escuridão permanente, ela perdeu a chance de ser ativada e desenvolvida no momento adequado. Dessa forma, o mesmo impacto, resultado das experiências pessoais sobre a questão da genética, poderia ser aplicado ao comportamento, mesmo que de uma forma mais complexa.

A sexualidade humana não é questão de opção individual

Enquanto que, em teoria, as pessoas sejam capazes de esconder suas preferências para se encaixarem na sociedade, elas não podem se esconder de si próprias. Dessa forma, uma mulher que sente atração por outra pode se casar e até ser fiel a um parceiro de gênero oposto, no entanto, ela nunca deixará de se interessar por suas semelhantes. O mesmo ocorre com os homens que costumam procurar experiências homossexuais fora do casamento, conforme apontou o médico. 

Por fim, ele considera que o espectro da sexualidade é amplo e extremamente complexo, e, em contramão à ideia de comportamento adotado em sociedade, ele não é uma questão de opção individual. As pessoas não escolhem ser como são, a sexualidade simplesmente se impõe a cada um de nós.

[ Diário de Biologia / Drauzio Varella ] [ Fotos: Reprodução / Pixabay / Pixabay ]

Jornal Ciência