O que a Ciência diz sobre homossexualidade entre animas?

de Otto Valverde 0

O comportamento homossexual é comum entre os animais e trata-se de um mistério evolutivo, já que os parceiros não possuem nenhum benefício quando o assunto é gerar descendentes.

Jornal Ciência no seu WhatsApp

Clique aqui (61) 98302-6534, mande “olá” e salve nosso número nos seus contatos. Você receberá notícias do Jornal Ciência diretamente no seu celular.

 

No entanto, um estudo realizado por especialistas da Universidade de Uppsala, na Suécia, sugeriu que esse tipo de comportamento estaria associado a benefícios genéticos. Além disso, segundo eles, as linhagens genéticas são responsáveis por apresentar tendências homossexuais nos animais.

homossexualidade-animais_01

Segundo Charles Darwin, os impulsos sexuais de animais são concebidos para fins reprodutivos. Portanto, são, necessariamente, heterossexuais. Contudo, cada vez mais pesquisas sugerem que animais gays – anteriormente indeferidos por biólogos – são mais comuns do que se pensava.

 

Alguns biólogos afirmam que esse tipo de comportamento já foi descoberto em cerca de 1.500 espécies diferentes, que incluem emas, galinhas, coalas, salmão, gatos, corujas e golfinhos.

 

Em 2010, a bióloga Lindsay Young estudava uma colônia de albatrozes na Universidade do Havaí, quando descobriu que muitos deles apresentavam indícios de homossexualidade.

 

Segundo ela, um terço dos casais consistia em duas fêmeas, sendo que algumas estavam juntas há 19 anos. Nesse período, ambas as parceiras geraram dezenas de filhotes. Ao que tudo indica, elas selecionavam um parceiro para ser pai e depois voltavam para os seus ninhos para incubar os ovos com suas “esposas”.

 

Segundo os pesquisadores de Uppsala, a hipótese de que fêmeas e machos compartilham a maioria dos genes pode explicar a ocorrência desse comportamento. Assim, eles testaram essa ideia usando besouros machos e fêmeas com baixos níveis de SSB – uma proteína essencial na replicação, reparação e combinação do DNA.

homossexualidade-animais_02

Utilizando a reprodução artificial, eles criaram linhagens genéticas com tendências a exibir a SSB. Usando estas estirpes, os pesquisadores mostraram que, quando um determinado sexo, criado para ter mais SSB, irmãos de sexo oposto mostraram aumento no desempenho reprodutivo.

 

Por exemplo, observamos nos machos que tinham sido criados para o comportamento homossexual que eles eram menos exigentes quando lhes era dada a escolha entre a cortejar um macho ou uma fêmea”, disse o professor assistente David Berger, do Departamento de Ecologia e Genética da Universidade. “Enquanto isso, suas irmãs punham mais ovos e reproduziam mais descendentes do que antes”, relatou.

 

Os resultados sugerem que a SSB pode ser prevalente em um gênero, porque os genes que regulam o comportamento são preservados pela seleção natural através de seus benefícios no sexo oposto. Isso aponta para a existência de um mecanismo geral, que mantém diferentes formas de SSB em uma ampla variedade de animais.

 

Segundo o zoólogo Petter Bockman, da Universidade de Oslo, os animais realmente podem ser gays, embora a palavra “homossexual” não seja tão precisa, já que eles não são membros da espécie Homo. “A sexualidade não é apenas sobre fazer bebês, é também sobre fazer o trabalho de rebanho. Para alguns animais, a homossexualidade é um comportamento normal”, disse.

 

Os resultados do estudo realizado pelos pesquisadores suecos foram publicados na revista BMC Evolutionary Biology.

[ Fonte: Daily Mail ]

[ Fotos: Reprodução / Flickr ]

Jornal Ciência