Sobe para 54 número de cães mortos após suposta contaminação de petiscos caninos; Senacon obriga recolhimento imediato dos produtos

Fabricante dos petiscos parece ter comprado de fornecedor lotes de propilenoglicol (usado na fabricação dos petiscos), contaminados com monoetilenoglicol (substância tóxica do famoso caso da cervejaria Backer); casos seguem em investigação

de Redação Jornal Ciência 0

O caso polêmico foi divulgado em reportagem da Record TV Minas, mostrando que as investigações da polícia tiveram início após a morte de cães que consumiram petiscos da Bassar Pet Food, o que levantou suspeitas.  

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O caso ganhou proporções maiores após cães de Minas Gerais começarem a morrer e tutores fazerem grupos em aplicativos para reunirem relatos e possíveis provas. Até o momento, a investigação da Delegacia Especializada em Defesa do Consumidor já coletou dados de 11 estados e no Distrito Federal.

são 54 mortes de cães que comeram petiscos supostamente contaminados produzidos pela Bassar utilizando matéria-prima de um fornecedor.

O laudo preliminar da Polícia Civil de Minas Gerais identificou a presença em 1 das 3 amostras recolhidas para análise, da substância tóxica chamada monoetilenoglicol anticongelante, mesma substância do caso da cervejaria Backer, que matou 10 pessoas e deixou ao menos 14 com sequelas.

Após investigação do Ministério da Agricultura, 2 lotes da matéria-prima propilenoglicol (substância usada na fabricação dos petiscos sem risco à saúde dos animais), produzidos pela empresa Tecno Clean Industrial, foram proibidos de serem usados.

Até o momento, o problema está nos lotes AD5053C22 e AD4055C21 da substância propilenoglicol fornecida à Bassar. A Tecno Clean Industrial forneceu esta matéria-prima à Bassar Pet Food. Mas, de acordo com o jornal O Tempo, a Tecno Clean informou que adquiriu o produto a A&D, uma outra empresa de São Paulo.

O propilenoglicol não é um agente tóxico e faz parte da composição dos ingredientes usados para fabricar alimentos para animais, cosméticos, medicamentos, manipulações magistrais e alimentos humanos.

Já o monoetilenoglicol é uma substância extremamente tóxica, proibida de ser usada em alimentos e que pode levar à morte dos pets quando ingerida. Ela pode causar danos neurológicos, cardiopulmonares e avançar para os rins.

A delegada Danúbia Quadros, disse em comunicado à imprensa para que os tutores fiquem atentos aos cães que apresentarem sintomas como convulsão, diarreia, vômitos e prostração — que parece ser o sintoma mais comum após ingerir o alimento.

A empresa Bassar teria recebido estes lotes contaminados da Tecno Clean Industrial, que por sua vez disse ter adquirido os lotes da A&D. Ainda de acordo com o jornal O Tempo, a A&D retirou seu site do ar nos últimos dias e não atendeu as tentativas de comunicação via telefone.

A fábrica da Bassar, em Guarulhos (SP), foi interditada pelo Ministério da Agricultura e ordenou que todos os produtos fossem recolhidos.

Anteriormente, em (01/09), a Bassar Pet Food retirou de circulação, “por precaução”, os lotes 3554 e 3775 do produto Bone Everday. A empresa alegou ainda que está tomando providências “desde o dia que recebeu o primeiro relato de possível intoxicação”.

“Nunca passamos por situação semelhante antes. São mais de cinco anos de história que comprovam a confiança em nossos processos de fabricação. Prezamos pela qualidade dos produtos e pelo bem-estar e satisfação de nossos clientes”, afirmou em nota na sexta-feira (02/09).

Funcionários do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) estiveram na sede da Bassar: “Os laudos do MAPA comprovam, ainda, que não há contaminação na linha de produção. É fundamental esclarecermos que não há nenhum laudo conclusivo sobre a causa das mortes de nenhum dos cães”, disse a empresa no dia 05/09, de acordo com o Estado de Minas.

O que diz a Bassar Pet Food?

Em nota oficial à imprensa em 02/09, a Bassar afirma que interrompeu a produção da fábrica e que iria contratar uma empresa externa para investigar o caso.

Abaixo, a nota na íntegra:

A Bassar Pet Food informa que decidiu interromper a produção de sua fábrica até que sejam totalmente esclarecidas as suspeitas de contaminação de pets envolvendo lotes de seus produtos. A empresa também está contratando uma empresa especializada para fazer uma inspeção detalhada de todos os processos de produção e do maquinário em sua fábrica, em São Paulo.

De modo preventivo, a companhia já estava recolhendo os lotes de duas linhas de alimentos, mas procederá agora ao recolhimento de todos os produtos da empresa nacionalmente, conforme determinação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

A Bassar esclarece que ainda não teve acesso ao laudo produzido pela Polícia Civil de Minas Gerais, mas está colaborando totalmente com as autoridades desde o início dos relatos sobre os casos.

A empresa enviou amostras de produtos para institutos de referência nacional para atestar a segurança e conformidade de seus produtos sob investigação.

Além disso, acionou todos os seus fornecedores para que façam o rastreamento dos insumos utilizados para afastarem a hipótese de algum tipo de contaminação.

Atualização

Nesta quinta-feira (15/09), a Bassar Pet Food foi notificada a apresentar um recall compulsório de petiscos caninos por ordem da Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Senacon). A Bassar é responsável pelos produtos Bassar Snack, Every Day e Bassar Dental Care.

 

Com a medida, a empresa terá que recolher, de forma obrigatória, todos os produtos indicados. Apesar da Bassar ter solicitado, anteriormente, que os consumidores entregassem os produtos adquiridos no mesmo local onde compraram, isso representa um recall voluntário.

Mas, a Senacon diz que um recall informal, sem divulgação massiva e fora dos termos que os órgãos competentes regulamentam, pode ser demorado e ineficaz, apresentando riscos aos consumidores e aos animais de estimação, de acordo com o jornal Estado de Minas.

Fonte(s): O Tempo / Portal R7 / Estado de Minas / Estado de Minas Imagens: Reprodução / Arquivo Pessoal e Divulgação / Redes Sociais

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