EUA realizam o primeiro transplante de útero de doadora viva

de Merelyn Cerqueira 0

Médicos de um hospital no Texas conseguiram realizar quatro transplantes de útero utilizando doadores vivos. Segundo informações da Science Alert, é a primeira vez que o procedimento é realizado desta forma nos EUA.

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Em fevereiro deste ano, o primeiro transplante de útero foi realizado no país, mas a partir de uma doadora falecida. Ainda, o procedimento acabou falhando, devido a uma infecção comum que atingiu a paciente. Até o momento, três dos úteros transplantados foram removidos porque não estavam recebendo fluxo sanguíneo suficiente. O quarto, no entanto, parece estar bem. Em um comunicado, o hospital informou que a equipe de médicos estava “cautelosamente otimista” de que órgão transplantado na quarta mulher se tornaria funcional.

Sobre as três primeiras falhas, o médico que liderou o procedimento, na Baylor University Medical Center in Dallas, Giuliano Testa, declarou que esta é uma forma de avançar e aprender. “Eu não me envergonho de ser lembrado como o cara que fez quatro transplantes e três falharam, eu vou fazer isso dar certo”, disse. As quatro mulheres transplantadas tinham uma condição chamada Síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser, e por isso, nasceram sem útero. Quando receberam um órgão, elas poderiam ter a chance de engravidar.

O procedimento ainda é considerado altamente experimental e com uma elevada taxa de falha. Muitas pesquisas serão necessárias para testar sua segurança e eficácia. E mesmo que se torne clinicamente disponível, o custo financeiro para as potenciais pacientes será muito alto. Médicos no Reino Unido também têm planos para realizar o procedimento a partir de doadoras falecidas. Porém, até o momento, somente a Suécia conseguiu fazê-lo de forma bem-sucedida em nove pacientes – a equipe responsável por esses procedimentos esteve presente ao lado dos cirurgiões do Texas.

Para realizar o procedimento, primeiro os médicos removem o útero da doadora viva. Em seguida, ele é transferido para o destinatário. Neste processo, deve haver a ligação correta do órgão, ao longo da vagina e pélvis, para que o fornecimento de sangue seja suficiente. Em um cenário positivo, em cerca de 6 a 12 meses a mulher que recebeu o útero está pronta para ter um filho. Porém, uma vez que o órgão não é ligado aos ovários, ela precisará realizar o método de fertilização in vitro para engravidar. Além disso, como o novo útero é frágil, a criança deverá nascer por cesariana.

[ Science Alert ] [ Fotos: Reprodução / Time

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