“Dia da Liberdade” no Reino Unido desperta temor pela gonorreia resistente a antibióticos, diz médica

Especialistas temem picos de contágios de IST — Infecções Sexualmente Transmissíveis — presumindo que as pessoas terão comportamentos íntimos irresponsáveis após o fim das restrições pela pandemia

de Redação Jornal Ciência 0

Após o Reino Unido declarar nesta segunda-feira (19/07) o chamado “Dia da Liberdade”, onde marca o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras e do limite de pessoas aglomeradas em ambientes fechados ou abertos, especialistas temem o comportamento sexual irresponsável.

Jornal Ciência no seu WhatsApp

Clique aqui (61) 98302-6534, mande “olá” e salve nosso número nos seus contatos. Você receberá notícias do Jornal Ciência diretamente no seu celular.

Hoje também marca a reabertura dos pubs (bares), boates e eventos. Também foram suspensos impedimentos do número de pessoas em casamentos, funerais, shows e competições esportivas.

Os médicos e especialistas britânicos pediram que os adultos façam testes de IST (Infecções Sexualmente Transmissíveis) com medo do Dia da Liberdade aumentar a disseminação da chamada “supergonorreia” — doença provocada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae que adquiriu resistência a diversos antibióticos.

Pesquisas na internet realizadas pelos britânicos nos últimos 12 meses mostram aumento de 1.000% na procura por kits de testagem de infecções sexuais. Isso sugere que a cada flexibilização que ocorreu durante a pandemia, mais pessoas praticavam sexo sem proteção ou tinham a intenção de fazê-lo.

O Google mostrou picos de pesquisas por “Testes de IST” durante os jogos da Eurocopa, quando a Inglaterra foi classificada para a final com a Itália. Isso ajuda a entender o comportamento social e as intenções das pessoas sobre encontros íntimos.

Nos últimos 7 dias, o Google também mostrou uma grande tendência de pesquisas por estes kits, visto que os britânicos já sabiam que as medidas de flexibilização total ocorreriam nos próximos dias.

A Lloyds Pharmacy — cadeia britânica de farmácias com mais de 1.500 lojas — relatou aumento de 24% nas vendas dos kits femininos e 15% nos kits masculinos nos últimos dias antes do Dia da Liberdade.

A Dra. Gigi Taguri, diretora médica da Lloyds Pharmacy comentou sobre os números: “Sempre que as restrições da pandemia foram atenuadas, as evidências mostram que as taxas de infecções sexuais aumentaram”.

Ela prossegue: “Vimos um grande pico no dia 05/07 depois do jogo da Inglaterra em 03/07 contra a Ucrânia. Estes eventos são claramente uma grande chance para as pessoas se soltarem um pouco. Está claro que as pessoas fazem sexo desprotegido, e com o fim das medidas restritivas, isso vai aumentar”.

A Dra. Gigi ainda comentou que agora que os pubs estão totalmente abertos, sem restrições, e com a volta das boates e shows, será um “paraíso para as pessoas solteiras que ficaram confinadas nos últimos 18 meses”.

A supergonorreia é um dos grandes motivos de preocupação. Tradicionalmente tratada com azitromicina, a bactéria da gonorreia tornou-se resistente e muito mais difícil de ser tratada.

A gonorreia é transmitida durante relação sexual por meio de penetração anal, vaginal ou oral, sem proteção com camisinha.

Os sintomas da supergonorreia são, em tese, os mesmos que a gonorreia comum, como dor ao urinar, corrimento branco ou amarelado com aparência de pus, inflamação no ânus (sexo anal), dor de garganta (sexo oral), entre outros.

O grande problema da supergonorreia é que, em geral, são prescritos antibióticos padrão para a doença — como a azitromicina e a ceftriaxona.

Como pode não surtir efeito, as bactérias têm maior chance de caírem na corrente sanguínea e atingir diversos órgãos, bem como ocorrer infecção generalizada.

Para evitar este risco, em caso de confirmação de infecção por gonorreia, é necessário a realização de um antibiograma — exame que mede a sensibilidade da bactéria e sua resistência aos antibióticos — para saber qual é o medicamento mais adequado e se realmente trata-se da supergonorreia.

Caso seja a supergonorreia, é possível que ela seja resistente a todos os antibióticos testados no antibiograma, mas é possível que antibióticos possam ser usados em doses mais elevadas e combinados com outros.

Geralmente, o paciente com supergonorreia precisa ser internado e receber os antibióticos na veia, para combater de forma mais eficaz e evitar que a bactéria se espalhe.

Durante o tratamento, novos exames são feitos para verificar se a bactéria está morrendo ou se está adquirindo novas resistências. A supergonorreia pode não responder ao tratamento e levar a problemas sérios, como cegueira, e até ser fatal.

Fontes(s): Daily Star Imagens: Reprodução / Shutterstock

Jornal Ciência