Consumo excessivo de carne vermelha pode diminuir seu tempo de vida

de Julia Moretto 0

Comer carne vermelha regularmente aumenta o risco de morte por doenças cardíacas e câncer, de acordo com um estudo realizado com mais de 120.000 pessoas ao longo de 28 anos.

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Os resultados mostram que cada porção extra diária de carne vermelha processada aumenta a taxa de mortalidade em um quinto. Por outro lado, a substituição da carne vermelha por peixes, aves ou alimentos proteicos à base de plantas contribuiu para uma vida mais longa. Os dados de 121.342 homens e mulheres que participam em duas grandes investigações de saúde e estilo de vida foram analisados para produzir os resultados publicados na revista Archives of Internal Medicine. Os estudos monitoraram o progresso de seus participantes por mais de 20 anos e reuniram informações sobre suas respectivas dietas.

Os cientistas documentaram 23.926 mortes, incluindo 5.910 de doença cardíaca e 9.364 de câncer. Além disso, houve uma associação marcante nos dados entre o consumo de carne vermelha e morte prematura. Cada dose diária adicional de carne vermelha não processada aumentou a taxa de mortalidade em 13%, enquanto a carne processada a aumentou em 20%.

Quando as mortes foram divididas em causas específicas, comer qualquer tipo de carne vermelha aumentou as chances de morrer de doenças cardíacas em 16% e de câncer em 10%. Carne vermelha processada aumentou o risco de morte por doença cardíaca em 21% e morte por câncer em 16%.

Esse estudo fornece evidências claras de que o consumo regular de carne vermelha, especialmente carne processada, contribui substancialmente para uma morte prematura”, disse o autor e professor Frank Hu, da Harvard School of Public Health em Boston, nos EUA. “Por outro lado, a escolha de fontes mais saudáveis ​​de proteína no lugar de carne vermelha pode conferir benefícios significativos para a saúde, reduzindo doenças crônicas e a mortalidade”, completou.

O estudo descobriu que cortar carne vermelha da dieta levou a benefícios significativos. Reduzir pela metade o consumo de carne vermelha poderia ter evitado 9,3% das mortes de homens e 7,6% das mulheres que participaram do estudo. Os pesquisadores chegaram a suas conclusões após observarem conhecidos fatores de risco de doença crônica, como idade, peso corporal, atividade física e histórico familiar.

O World Cancer Research Fund recomenda que as pessoas evitem carnes processadas e limitem seu consumo de carne vermelha a 500g por semana. O estudo calcula que vidas seriam salvas se as pessoas substituíssem a carne vermelha por fontes saudáveis ​​de proteína, como peixe, aves, nozes e legumes. Nós gostaríamos de ver mais pessoas substituindo a carne vermelha por esses tipos de alimentos”, disse Dr.ª Rachel Thompson, da mesma instituição.

Os achados foram contestados pela Dr.ª Carrie Ruxton, do Meat Advisory Panel, um órgão especializado financiado pela indústria da carne. Esse estudo norte-americano analisou as associações entre altas ingestões de carnes vermelhas e o risco de mortalidade, encontrando uma associação positiva entre os dois, mas o estudo foi observacional, não controlado e, portanto, não pode ser usado para determinar causa e efeito”, completou.

Segundo Dr.ª Ruxton, carne e produtos de carne são fontes significativas de nutrientes essenciais, como ferro, zinco, selênio, vitamina do complexo B e vitamina D. No Reino Unido, a carne vermelha foi “extremamente importante” para a ingestão de zinco, contribuindo com 32% do total para homens e 27% para mulheres. A carne vermelha também forneceu cerca de 17% da ingestão total de ferro no Reino Unido.

A carne vermelha ainda pode ser ingerida como parte de uma dieta equilibrada, mas são preferíveis os cortes mais magros e os métodos de cozimento mais saudáveis, como grelhar. Se você come carnes processadas como bacon, presunto, salsichas ou hambúrgueres várias vezes por semana, pode substituir por outras fontes proteicas, como peixe, aves, feijão ou lentilhas”, explicou Victoria Taylor, nutricionista da British Heart Foundation.

[ The Guardian ] [ Fotos: Reprodução / The Guardian ]

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