A ansiedade dos pais pode representar riscos para os filhos?


de Merelyn Cerqueira 0

A ansiedade é um problema enfrentado por milhões de pessoas todos os dias. O transtorno, considerado por muitos como o “mal do século”, é por vezes confundido com a depressão, embora não estejam relacionados.

O caso é que, segundo alguns estudos, o problema pode se estender por gerações. Logo, os filhos de pais que sofrem de ansiedade correm um risco aumentado de desenvolver o mesmo transtorno. 

Contudo, de acordo com um artigo publicado em 2015 pelo periódico The American Journal of Psychiatry , uma intervenção psicológica aplicada em nível familiar poderia reduzir drasticamente este risco. 

Os pesquisadores sugeriram que o temperamento e experiências iniciais da vida tendem a desempenhar um papel fundamental no desenvolvimento da ansiedade.

Sendo assim, quanto mais experiências negativas uma pessoa experimenta durante a vida precoce, maior é a chance de ela desenvolver transtornos de ansiedade na vida adulta.

Contudo, eles determinaram que é o efeito da criação que mais interfere nos riscos, uma vez que é nesta fase em que o comportamento e personalidade são moldados. É nesta parte então que a psicoterapia pode ajudar.

criança-bicicleta-1

O estudo buscou testar por meio de uma intervenção psicológica baseada em terapia comportamental cognitiva cerca de 136 famílias. Destas, pelo menos um dos pais tinha problemas de ansiedade, enquanto que pelo menos um de seus filhos (entre 6 a 13 anos) também havia desenvolvido o problema.

 As famílias foram separadas em três grupos. Enquanto o primeiro foi dito participar de oito sessões de cerca de uma hora por dois meses com um profissional capacitado, o segundo apenas recebeu folhetos informativos sobre o transtorno de ansiedade e possibilidade de tratamento. O terceiro, tido como grupo de controle, não recebeu nenhuma das opções.

Os pesquisadores verificaram que as famílias do primeiro grupo aprenderam a identificar os sinais de ansiedade apenas quando os sintomas do medo eram saudáveis (como o medo de um carro em rota de colisão, por exemplo), ou insalubres (suspeitas de que o bolo de uma festa estivesse envenenado). Logo, aprenderam a enfrentá-los através de conhecimentos práticos e exercícios de exposição.

Uma das soluções citadas pela pesquisa sugeria um cenário em que uma criança estava com medo de encontrar um gato na rua. Sendo assim, a primeira coisa a ser feita por ela para superar o problema era identificar a fonte do medo: “Esse gato vai me machucar”. Depois, avaliá-lo: “É provável que este gato me machuque?”, ou, “Não, esse gato não parece agressivo e não está mostrando suas unhas e dentes para mim.

Está apenas sentado ali olhando para mim. Então posso continuar caminhando sem problemas que ele não me fará mal”.

Os pesquisadores verificaram que os efeitos da psicoterapia foram evidentes. Cerca de apenas 9% das crianças pertencentes ao grupo das famílias que receberam terapia desenvolveram problemas de ansiedade, enquanto que 21% das crianças presentes no grupo dos folhetos informativos e 31% das que estavam no grupo de controle se tornaram vítimas do problema.

Segundo a autora do estudo, Dr.ª Golda Ginsburg, professora de psiquiatria na UConn Health, em Farmington, Connecticut (EUA), os resultados evidenciam a vulnerabilidade das crianças em relação ao transtorno de ansiedade experimentado pelos pais. Por outro lado, também nos permite ver a eficácia de programas de prevenção voltados à família, tendo em vista que atualmente essa ideia é aplicada apenas individualmente nas escolas.

Fonte: NPR Fotos: Reprodução / NPR

Jornal Ciência