“Uma geração morreu”: província italiana não consegue enterrar todos os mortos da Covid-19

Caixões se acumulam e cadáveres são isolados em casa na província de Bergamo, cujas empresas funerárias não conseguem atender à alta na demanda

de Redação Jornal Ciência 0

Caixões aguardando o enterro estão sendo colocados em fila nas igrejas, e cadáveres dos que faleceram em casa estão sendo mantidos isolados em quartos, em função da dificuldade do serviço funerário da cidade de Bergamo de atender à alta na demanda.

A província é a mais afetada pela pandemia de coronavírus, que já matou 4.825 pessoas na Itália, todas cremadas ou enterradas sem cerimônias fúnebres. Os que faleceram no hospital estavam sozinhos até o último momento.

A província de Bergamo, com 1,2 milhão de habitantes, localizada na Lombardia, já contabilizou 1.640 mortes e 3.993 casos de coronavírus, de acordo com os dados da última quinta-feira (19). Desde o dia 1º de março, a principal empresa funerária da província, chamada CFB, informou já ter realizado quase 600 enterros, reportou o The Guardian.

“Em um mês normal, nós teríamos realizado cerca de 120 enterros”, disse o diretor da funerária, Antonio Ricciardi. “Uma geração inteira morreu em pouco mais de duas semanas. Nunca vimos nada parecido, e a vontade que dá é de chorar.”

A escassez de caixões também afeta a província. Para além disso, muitos funcionários das funerárias também estão doentes.

“Nós também estamos com dificuldade porque muitos dos nossos funcionários estão doentes, então não temos tantas pessoas para transportar e preparar os cadáveres”, contou Ricciardi. Existem cerca de 80 empresas funerárias em Bergamo, cada uma recebendo dezenas de ligações por hora.

Contato com cadáveres

Os hospitais italianos estão adotando medidas mais rigorosas para o manuseio de cadáveres de pacientes infectados pela Covid-19. “As famílias não podem ver aqueles que faleceram ou providenciar um funeral apropriado, e isso é uma questão grave do ponto de vista psicológico”, disse Ricciardi.

Para aqueles que falecem em casa, o processo pode ser bastante burocrático, uma vez que são necessárias as visitas de dois médicos para realizar a liberação do corpo. “Então é necessário esperar que os médicos venham e, em tempos como esse, muitos deles também estão doentes”, acrescentou Ricciardi.

Stella, professora da província, contou ao The Guardian que “ontem, um senhor de 88 anos morreu. Ele teve febre por alguns dias. Não havia como chamar a ambulância, porque a linha estava sempre ocupada”, contou.

“Ele morreu sozinho no seu quarto. A ambulância chegou uma hora depois, mas claro que já não havia o que fazer. Como não havia caixões disponíveis em Bergamo, tivemos que deixá-lo na cama, e isolar o quarto para que seus parentes não entrassem”, contou Stella.

Os parentes não são autorizados a ver os pacientes infectados no hospital, ou a ter contato com as pessoas falecidas. “Não podemos nem dizer adeus. Essa é a pior parte”, disse Alessandro, que perdeu um tio de 74 anos na Lombardia.

Fonte: Sputnik News Foto: Reprodução / Twitter

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