Presidente do país africano Burundi morre com suspeita de Covid-19 após ignorar o coronavírus

Caso confirmado, esta seria a primeira morte por Covid-19 de um presidente.

de Redação Jornal Ciência 0

À medida que a pandemia avança, muitas pessoas e até mesmo autoridades e chefes de Estado, minimizam publicamente os perigos da doença Covid-19.

Pierre Nkurunziza, presidente de Burundi, um pequeno país do continente africano, fazia parte desse grupo que desdenhava da ameaça provocada pelo vírus.

O presidente, que faleceu na semana passada, foi supostamente vítima de um ataque cardíaco. No entanto, segundo fontes do jornal britânico The Guardian, um dos mais respeitados no Reino Unido, ele teria morrido por complicações da Covid-19.

Os representantes oficiais do governo não confirmam a informação e dizem que o presidente sofreu apenas um ataque cardíaco. Porém, o jornal queniano The Star, descobriu através de um diplomata, que há algumas semanas, Denise Nkurunziza, a primeira-dama de Burundi, foi para Nairóbi, capital do Quênia, em busca de tratamento médico por um motivo que não foi oficialmente revelado.

Dias depois, foi confirmado estar infectada com coronavírus, recebendo tratamento médico no Hospital da Universidade Aga Khan, no Quênia, ficando curada. A informação levanta dúvidas sobre a causa real da morte do presidente de Burundi.

No continente africado, o coronavírus chegou mais tarde do que no resto do mundo. Apesar da infraestrutura de saúde limitada e dos problemas gerados pela pobreza, a maioria dos países africanos instituiu políticas destinadas a conter a propagação do vírus.

Porém, Burundi tem sido uma exceção. O então presidente do país, não apenas se recusou a tomar medidas para conter a propagação do vírus, como também manteve eventos esportivos e outros grandes shows públicos. Além disso, especialistas da Organização Mundial da Saúde foram expulsos do país.

Até o momento, apenas 85 casos de Covid-19 foram identificados oficialmente no país, com apenas 1 morte. Mas, com uma população de 11,8 milhões e com apenas 400 testes realizados, além de um sistema de saneamento básico precário, é notório a “maquiagem” nos números.

O presidente Nkurunziza tinha 55 anos e liderava o país há 15 anos e seu mandato terminaria em agosto deste ano. Ele tomou posse para recuperar uma década de conflitos do país, mas em poucos anos aumentou o abuso aos direitos humanos, com mais de 100.000 pessoas necessitando fugir do país, além do incontável número de mortos.

O governo era investigado por crimes contra a humanidade, motivo que impediu que Nkurunziza abandonasse o país, pois existia a possibilidade de ser preso pelo Tribunal Penal Internacional.

Nkurunziza também era famoso por recusar a ciência como fonte. Perseguiu cidadãos LGBTQ com alegações pseudocientíficas para inflar grupos de extrema direita. Ser gay em Burundi é crime, o que levou centenas de pessoas para a cadeia.

Fontes: IFLScience / The Guardian / The Star Foto: Montagem Jornal Ciência

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