Os pesticidas são realmente ruins para a saúde?

de Gustavo Teixera 0

O consumo de frutas e vegetais é altamente recomendado por médicos e nutricionistas. Esses alimentos são considerados importantes para nossa dieta, porque são extremamente saudáveis.

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Mas há um grupo de substâncias químicas que ultimamente está fazendo com que frutas e legumes se tornem mais perigosos: os pesticidas.

Vamos esclarecer

Quando falamos de pesticidas, nos referimos a substâncias químicas que são usados na agricultura para reduzir os danos causados por insetos, fungos, fungos e ervas daninhas. Eles podem ser divididos em três grupos:

Inseticidas, que visam matar as pragas que infestam plantas;

Herbicidas, que destroem as ervas daninhas;

Fungicidas, que são usados para eliminar os fungos prejudiciais.

A exposição dos alimentos a pesticidas, em quantidades moderadas, não seria perigosa para a nossa saúde. O problema é a quantidade de pesticida que é utilizada. Além disso também ingerimos muitos alimentos com pesticidas todos os dias, não só frutas e legumes, mas também carne, ovos, leite, queijo e vinho.

Animais em rebanhos se alimentam de plantas que foram tratadas com pesticidas. Em suma, todos os alimentos que comemos entraram em contato com estas substâncias. E elas também entram no nosso corpo pelo ar que respiramos e a água que bebemos de fontes superficiais ou águas subterrâneas contaminadas.

Alimentos que utilizam pesticidas

Já ouvimos que “os alimentos estão contaminados com pesticidas”, mas essa definição está errada, porque se as frutas e legumes que compramos provêm da agricultura tratada com pesticidas, é óbvio que há vestígios de pesticidas absorvidos pelas próprias plantas, mas isso não traz perigo, necessariamente.

O mesmo vale para carne, ovos, leite e queijo – que possuem menor quantidade de pesticidas -, porque os animais que geram esses alimentos, são alimentados de ração tratada com pesticidas. O vinho, também entra nesse grupo, pois nas vinícolas esses produtos químicos também são aplicados.

Glifosato, o inimigo público

Entre os vários herbicidas no mercado, o glifosato seja talvez o mais odiado. Patenteado pela Monsanto Company, foi objeto de vários estudos para definir os perigos.  A Organização Mundial de Saúde diz que é “provável que a substância seja genotóxica, isto é, causa danos ao DNA, e que apresente uma ameaça de câncer ao homem”. Em suma, não está claro se é ou não perigoso, mas é provável que o problema exista quando utilizadas quantidades excessivas. 

Atenção especial às crianças

Um recente relatório do Greenpeace afirma que existem alguns grupos em maior risco pela exposição a pesticidas: crianças e fetos. A exposição nessa fase da vida faz com que os efeitos das substâncias sejam mais prejudiciais, pois os jovens são mais suscetíveis a eles. O dano nestes casos pode afetar o peso e a altura dos recém-nascidos, reduzir capacidade cognitiva, alterar o comportamento, afetar o desenvolvimento de leucemia e tumores.

Outro grupo que sofre mais com o uso de pesticidas são agricultores e moradores dos campos. Aqueles que trabalham na agricultura, bem como aqueles que vivem perto dos campos onde os pesticidas são usados estão em maior risco, porque entram em contato com essas substâncias não só através dos alimentos, mas também pelo ar. Nestes casos, estudos mostraram maior incidência de casos de tumores.

Pesticidas e doenças

Pesticidas também têm um impacto importante sobre o sistema nervoso e o hormonal. Inseticidas são projetados para afetar o sistema nervoso de pragas, e algumas substâncias podem interferir no desenvolvimento de doenças neurodegenerativas em seres humanos, tais como a doença de Parkinson e de Alzheimer. Alguns estudos afirmam que os pesticidas podem também aumentar o risco de desenvolvimento de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)

Também há pesquisas que mostram a influência que os pesticidas podem ter sobre o funcionamento hormonal, como um provável aumento de risco de desenvolver estas doenças em casos de muita exposição às substâncias.

Como resolver o problema dos pesticidas

A questão que surge agora é: o que podemos fazer para reduzir o risco representado pelo uso de pesticidas? A resposta não é simples, na verdade até seria, mas a solução não existe na prática. A principal razão para estas substâncias serem utilizadas na agricultura é a produção excessiva. Em um mundo consumista como o nosso, a terra é explorada além do possível, sendo necessário o uso de substâncias para reduzir as perdas de produção.

O ideal, portanto, seria reduzir a quantidade de pesticidas de modo que torne a agricultura mais sustentável e em equilíbrio com o território.

[ Scienze ] [ Foto: Reprodução / Scienze ] 

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