O mais antigo fóssil humano é ainda mais antigo do que se pensava

Um novo estudo da Universidade de Cambridge concluiu que fósseis mais antigos conhecidos de um humano moderno têm, no mínimo, 230 mil anos

de Redação Jornal Ciência 0

A idade dos primeiros fósseis encontrados no leste da África que correspondem à nossa espécie de Homo sapiens é incerta, mas há agora mais revelações vindas de uma erupção vulcânica na Etiópia que mostram que estes fósseis são muito mais antigos do que se pensava.

Jornal Ciência no seu WhatsApp

Clique aqui (61) 98302-6534, mande “olá” e salve nosso número nos seus contatos. Você receberá notícias do Jornal Ciência diretamente no seu celular.

Os fósseis em questão foram descobertos no país africano no final da década de 60 e ficaram conhecidos como Omo I ou Omo Kibish. Desde então, os cientistas têm tentado datá-los através de análises das camadas de cinzas vulcânicas que foram encontradas em cima e por baixo dos sedimentos onde os fósseis foram descobertos.

Uma equipe internacional de cientistas da Universidade de Cambridge reavaliou a idade dos fósseis Omo I.

Tentativas anteriores tinham apontado que estes tivessem menos de 200 mil anos, mas a nova investigação publicada na revista Nature concluiu que já existiam antes da erupção vulcânica que ocorreu há 230 mil anos.

Os restos fossilizados do Omo I foram encontrados numa região de alta atividade vulcânica no sudoeste da Etiópia, onde é também comum serem encontrados artefatos antigos, como citado na revista Phys.

Ao datarem as camadas de cinzas que envolvem os fósseis, os cientistas descobriram que estes eram os exemplares mais antigos da nossa espécie. “Usando estes métodos, a idade geralmente aceita dos fósseis Omo I é de menos de 200 mil anos, mas há muita incerteza em torno desta data”, disseram.

“Os fósseis foram encontrados em sequência, debaixo de uma camada grossa de cinzas vulcânicas que ninguém tinha conseguido datar com técnicas radiométricas porque as cinzas eram extremamente finas”, revela Céline Vidal, principal autora do estudo.

Formação rochosa onde foi encontrado o Omo Kibish, primeiro fóssil de homo sapiens, no sul da Etiópia

Como parte de um projeto de quatro anos, Vidal e os colegas tentaram datar todas as principais erupções vulcânicas na grande fenda da Etiópia no período em que os Homo sapiens emergiram, no fim do período do Pleistoceno Médio.

Os investigadores recolheram amostras de pedra-pomes dos depósitos vulcânicos e transformaram essas amostras em pó, até que ficassem com tamanho de menos de um milímetro.

“Cada erupção tem a sua “impressão digital”, a sua história evolutiva debaixo da superfície, que é determinada pelo caminho que o magma seguiu”, revela Vidal.

“Depois de se esmagar a rocha, libertam-se os minerais de dentro e pode-se datá-los e identificar a assinatura química do vidro vulcânico que segura os minerais juntos”.

Os investigadores fizeram análises geoquímicas para ligar a “impressão digital” da camada espessa de cinzas vulcânicas do sítio em Kamoya Hominin (KHS) com a erupção do vulcão Shala, a mais de 400 quilômetros de distância.

A equipe também datou as amostras de pedra-pomes do vulcão de há 230 mil anos. Visto que os fósseis do Omo I foram encontrados a maior profundidade do que esta camada de cinzas, concluiu-se assim que têm de ter mais 230 mil anos.

Os cientistas lembram que apesar deste estudo ter encontrado uma idade mínima para os Homo sapiens no leste da África, é possível que a sua verdadeira idade seja ainda mais antiga.

Cientistas pedem que mais estudos sejam feitos nesta região da Etiópia para tentar entender ainda mais a idade máxima dos primeiros humanos modernos, o que pode revolucionar o conhecimento que temos atualmente sobre nossa própria existência.

Fonte(s): ZAP Imagens: Reprodução / ZAP

Jornal Ciência

no seu WhatsApp

Clique aqui (61) 98302-6534, mande “olá” e salve nosso número nos seus contatos. Você receberá notícias do Jornal Ciência diretamente no seu celular.

Obs: É necessário salvar nosso número e enviar “olá” para validar o cadastro. São milhares de leitores. Aproveite. É grátis!

Jornal Ciência