Fungo mais antigo do mundo pode ter sido encontrado enterrado na África do Sul

de Merelyn Cerqueira 0

Cientistas encontraram evidências do que poderia ser a vida fúngica mais antiga do mundo, conforme informações da Science Alert.

Em um estudo publicado pela revista Nature Ecology & Evolution, foi relatada a descoberta de vestígios de microfósseis enterrados em uma antiga rocha vulcânica de 2,4 bilhões de anos de idade.

A lava endurecida está localizada a 800 metros de profundidade na região de Cabo do Sul, na África do Sul. Se confirmada, a descoberta não evidenciaria apenas o mais antigo fungo do mundo, mas também ajudaria os cientistas a repensarem algumas questões sobre a vida na Terra. 

A descoberta foi feita pelo geólogo Birger Rasmussen, da Universidade de Curtin, na Austrália, enquanto este examinava amostras de basalto extraídas da Formação Ongeluk – uma região composta por rochas vulcânicas que uma vez fluíram como lava sob o fundo do mar.

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“Eu estava à procura de minerais com a mesma idade da rocha quando a minha atenção foi atraída para uma série de vesículas”, contou ele.

“Quando ampliei o que vi sob o microscópio, fiquei surpreso ao encontrar o que pareciam ser primorosamente preservados micróbios fossilizados”. 

Quando compartilhou imagens dos fósseis com outros pesquisadores, incluindo o paleobiólogo Stefan Bengtson, do Museu de História Natural da Suécia, entenderam a importância de seu achado.

Até o momento, a evidência geológica para o mais antigo fungo é de 385 milhões de anos. Os novos vestígios fósseis encontrados por ele, por outro lado, fazem parte de um conjunto de 2 bilhões de anos. 

Ele ressaltou que os fósseis ainda não podem ser chamados de “fúngicos”, embora tenham aparência de fungos. “Temos sido cuidadosos para ressaltar que os filamentos que vemos são muito simples”, explicou Bengtson.“Eles são praticamente indistinguíveis em habitat”.

Se sua descoberta for considerada correta, ou seja, se outros pesquisadores avaliarem que ela de fato evidencia um fungo antigo, então seria a prova mais antiga de uma espécie eucariota. Ainda, uma das maiores implicações sobre a hipótese é que ela pode sugerir que os fungos nasceram primeiro sob o mar, e não na terra como antes se pensava. Bengston e sua equipe acreditam que o organismo tipo fungo pode ter existido em simbiose com outros micróbios, utilizando de alguma forma a energia quimicamente armazenada para permanecer vivo.

“Isso teria enormes implicações para o estilo de vida dos primeiros antepassados eucariotas e fungos”, disse Rasmussen. Ainda, a pesquisa mostra que os cientistas têm muito a aprender com a biosfera profunda – o terreno oculto sob o fundo do oceano e seu ecossistema. 

“A biosfera profunda (onde os fósseis são encontrados) representa uma parcela significativa da Terra, mas sabemos muito pouco sobre sua biologia e ainda menos sobre sua história evolutiva”, disse Bengtson.

Comentando sobre a descoberta, Nicola McLoughlin da Universidade de Rhodes na África do Sul, que não fez parte do estudo, afirmou que “a investigação levanta a questão de estarmos ou não olhando para o lugar errado quando o assunto são os primeiros eucariotos e fungos fósseis em particular”.

Fonte: Science Alert Fotos: Reprodução / Science Alert

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