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Encalhe em massa de baleias ocorre na Nova Zelândia e carcaças estão sob ameaça de explosão

de Julia Moretto 0

O devastador mistério sobre o encalhe de mais de 650 baleias-piloto na praia da Nova Zelândia no fim de semana está próximo de chegar ao fim. Cerca de 17 animais conseguiram sobreviver.

 

Segundo os especialistas, centenas de carcaças estão espalhadas pela praia de Farewell Spit e o público foi proibido de entrar em contato com os corpos devido a temores de explosões espontâneas causadas pelo acúmulo de gás. Em um dos maiores eventos de destruição em massa da história da Nova Zelândia contou com 416 baleias-piloto encalhadas na praia do sul da Ilha Farewell Spit na noite de quinta-feira. Além disso, cerca de 240 encalharam entre os assentamentos de Puponga e Pakawau no sábado.

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Do primeiro grupo, perto de 75% morreras pela demora do resgate. Já no segundo grupo, 17 baleias foram resgatadas com sucesso. E difícil deslocar centenas de carcaças maciças, pois as baleias são conhecidas por explodir após a morte, graças ao gás que fica preso em seus estômagos. Elas incham com um monte de bactérias em seu estômago. O intestino realmente sai do animal e, em seguida, explode“, explicou o porta-voz do Departamento de Conservação (DOC), Andrew Lamason. “Faremos buracos, deixando o gás sair. Espero que isso os torne menos inchados e menos propensos a explodir“, completou.

 

Descrito como “estourar balões”, o processo de descompressão envolve o uso de diferentes tipos de facas e uma agulha hipodérmica de 2 metros de comprimento para perfurar e desinflar as carcaças. Os especialistas também estão considerando a construção de uma cerca em torno dos corpos para impedi-los de serem levados pelo mar a praias próximas. Quanto ao que vai acontecer com elas, ainda não está claro, mas o DOC anunciou que, provavelmente, moverão as carcaças mais adiante para uma área da reserva natural que não está aberta ao público. As carcaças serão movidas para se decomporem nas dunas.

 

O primeiro evento da encalhe foi considerado o terceiro maior na história de Nova Zelândia. Em 1985, cerca de 450 baleias encalharam em Auckland e aproximadamente 1.000 encalharam em Chatham em 1918 – o maior evento de encalhamento de massa da história. O que é curioso é que ninguém foi capaz de explicá-lo. E o pior: isso não está acontecendo apenas na Nova Zelândia, centenas de baleias estão encalhando em todo o globo há anos.

 

Em 2015, 337 baleias mortas foram descobertas ao largo da costa da Patagônia no sul do Chile. Em 2009, 55 falsas-orcas foram encontradas encalhadas em uma praia da África do Sul. Já em 2016, cerca de 80 baleias encalharam na costa da Baía de Bengala, na Índia. Há diversas hipóteses para explicar o fenômeno, que também afeta outras espécies do grupo de cetáceos, incluindo golfinhos e botos.  Pesquisas anteriores apontaram a influência gravitacional da Lua, capaz de mexer com a navegação nos oceanos abertos. Tempestades costeiras e marés extremas causadas pela Lua Cheia e Nova podem desorientar os animais e levá-los para águas perigosamente rasas.

 

Mas ninguém foi capaz de ligar esses eventos aos tipos de encalhes que vemos, o que levou a NASA a procurar outra explicação. A NASA anunciou uma nova investigação sobre o papel das tempestades solares nos encalhes, visto que são conhecidas por mexer com o campo magnético da Terra. Neste caso, também poderia ter sido simplesmente o lugar errado na hora errada para os animais, já que Farewell Spit é particularmente difícil para a navegação das baleias.

 

O primeiro grupo de baleias poderia ter acidentalmente chegado muito perto da costa e acabou ficando preso. O segundo grupo pode ter sido atraído pelos chamados do primeiro grupo. “Eles podem ter recebido algumas comunicações das baleias. Isso seria algo incomum, não vimos isso antes“, disse Daren Grover, gerente geral do grupo de conservação Projeto Jonah. Esperemos que, uma vez que partes das carcaças remanescentes foram coletadas para amostra, possamos ter mais algumas pistas sobre esse evento específico e refletir sobre o fenômeno global. Tomando amostras e fazendo análises, talvez seremos capazes de isolar a razão para isso. Pode ser simples como interferência em seus sistemas de navegação, mas isso é, mais uma vez, teórico“, explicou o porta-voz da DOC, Herb Christophers.

[ Science Alert ] [ Fotos: Reprodução / Science Alert ]

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