Pais interrompem crescimento de filha deficiente e removem seu útero. Entenda!

de Bruno Rizzato 0

Charley Hooper não pode falar, andar ou controlar seus membros, e quase não pode enxergar, após ficar com graves danos cerebrais devido à falta de oxigênio ao nascer, sendo diagnosticada com epilepsia grave.

Jornal Ciência no seu WhatsApp

Clique aqui (61) 98302-6534, mande “olá” e salve nosso número nos seus contatos. Você receberá notícias do Jornal Ciência diretamente no seu celular.

A garota, de 10 anos, tem 1,3 metros de altura e pesa menos de 25 kg. Ela é incapaz de se comunicar com seus pais, Jenn e Mark Hooper, que precisam interpretar o que ela sente ou o que ela quer pelo tom de seus gemidos e os espasmos musculares no rosto.

Seus pais, em uma atitude controversa, resolveram frear seu desenvolvimento. Jenn e Mark esperam que, ao mantê-la em seu tamanho atual para o resto de sua vida, eles sejam capazes de levá-la em passeios familiares, temendo que, se ela ficar muito grande, vai ser confinada a uma cama. Eles também esperam que a remoção de seu útero possa poupar-lhe das dores causadas pela menstruação.

Charley-Hooper_01

A decisão da família da Nova Zelândia a torna uma das poucas que utilizaram o tratamento controverso, conhecido como atenuação do crescimento, um tratamento médico que surgiu na década de 60 e envolve a administração de estrogênio para causar o fechamento das epífises dos ossos (placas epifisárias), resultando na redução da altura e bloqueio do desenvolvimento.

O tratamento acabou sendo proibido pelo conselho de ética mas, os Hoopers conseguiram viajar à Coreia do Sul, onde o procedimento é legalizado, para iniciar o tratamento hormonal, que os críticos afirmam ser uma violação dos direitos humanos do paciente. Eles também apontam para o fato de que Charley é incapaz de dar o seu consentimento para o tratamento.

“Nós não deixamos Charley parar de fazer as coisas. Crescer a privaria disso. Nós não estamos tirando quaisquer opções que já não foram tiradas dela um dia”, disse Jenn.

No entanto Margaret Nygren, CEO da Associação Americana de Deficiência Intelectual e de Desenvolvimento, afirma que o tratamento se destina a beneficiar a vida das pessoas ao redor do paciente, em vez do paciente em si. “A ideia por trás da atenuação do crescimento é que você está mantendo alguém pequeno para a conveniência dos que o rodeia, não para que o indivíduo seja capaz de ter uma vida mais gratificante. Acho que é uma questão ética. Será que você gostaria que este tipo de tratamento fosse feito para você sem seu consentimento ou conhecimento? Se a resposta for não, então por que alguém gostaria de fazer isso com outra pessoa?”, disse ela.

[ Metro ] [ Foto: Reprodução / Facebook ]

Jornal Ciência