Criança está internada há 1 ano após comer marmita envenenada com chumbinho

Um ano após o crime, ninguém foi preso por ter dado marmita com o famoso “chumbinho” a moradores de rua. Veja o que é este veneno e o que provoca ao corpo

de Redação Jornal Ciência 0

Em 21 de julho de 2020, Flávio Araújo, vendedor de churros de 46 anos, aceitou marmitas oferecidas por um desconhecido na cidade de Itapevi, na Grande São Paulo. Um morador de rua recebeu 5 marmitas dadas por uma mulher e deu 3 para o vendedor.

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Ele, jamais poderia imaginar que a comida estava envenenada com chumbinho, e deu ao seu filho, à época com 11 anos, e para a namorada. Ela passou mal, foi internada, mas teve alta dias depois. O pai comeu pouco e não teve efeitos graves.  

O menino foi severamente intoxicado. Agora, 1 ano depois, ainda está internado e em tratamento médico pelas consequências do veneno usado para matar ratos, mas que na verdade é uma mistura de agrotóxicos — com venda proibida no Brasil. Dois moradores de rua também comeram da comida, e morreram durante a madrugada.

O garoto, segundo o pai, parou de falar, de movimentar braços e pernas e sentia muita dor na época que foi envenenado, além de ter sequelas no cérebro que afetaram a coordenação, de acordo com entrevista ao Agora São Paulo. Ele ainda não é capaz de falar e precisa se alimentar através de sonda.

Marmita envenenada com chumbinho e apreendida pela polícia à época do crime. Foto: Divulgação

O que é chumbinho?

É uma mistura de agrotóxicos, tendo como principal constituinte o chamado aldicarb. Por seu formato e cor escura, ganhou o nome popular de “chumbinho”. 

Esta mistura foi banida completamente pela ANVISA do mercado brasileiro após começar a fama de “raticida”, sendo vendido livremente em casas de produtos agropecuários.

O aldicarb, anteriormente, era usado em plantações de feijão, batata, algodão, café, cana-de-açúcar e cítricos, mas era desviado e usado na mistura para formar o chumbinho ilegal.

Na verdade, o chumbinho é uma mistura de vários agrotóxicos. Em geral, 50% da composição é formada por aldicarb, mas depende das regiões do Brasil que são encontrados.

Na composição, além do aldicarb, também pode ter carbofurano (carbamato), terbufós (organofosforado), forato (organofosforado), monocrotofós (organofosforado) e metomil (carbamato).

Um dos grandes problemas deste veneno é que ele não possui cheiro e nem sabor, o que facilita o consumo sem a percepção do envenenamento.

O que o chumbinho faz ao corpo?

Inibe rapidamente a enzima chamada acetilcolinesterase — extremamente essencial ao sistema nervoso — gerando rapidamente tonturas, suor em excesso, vômitos, tremores e sangramento.

Causa severos danos ao cérebro, ao sistema digestivo, cardiovascular e respiratório. Ao ser ingerido, ocorre intensa dor abdominal e o coração pode parar de bater.

Pelo ataque ao sistema nervoso, afeta a capacidade respiratória, além de poder gerar intensas convulsões, perda da fala e dos movimentos dos braços e pernas.

O chumbinho é tão tóxico que até mesmo respirar próximo da substância ou ter contato com a pele pode ser suficiente para ocorrer algum grau de intoxicação.

Se a vítima for atendida rapidamente, existe possibilidade de reverter 100% do quadro e estabilizar o paciente, mas se o contato com o chumbinho for prolongado sem atendimento imediato, danos irreversíveis podem ocorrer.

Fonte(s): Agora São Paulo / OECO Imagens: Divulgação

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