Ar que circula em aviões pode ser tóxico e causar convulsões, náuseas e dificuldades respiratórias

de Merelyn Cerqueira 0

Conhecida informalmente como síndrome aerotóxica, esta condição é provocada pelo chamado “fume event”, que por sua vez fala sobre a qualidade do ar no interior do avião.

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Estes efeitos foram registrados desde os anos 50, bem como já foram associados a uma série de doenças crônicas em profissionais do setor aéreo. 

No ano passado, três tripulações de diferentes companhias aéreas no Aeroporto Internacional Hartsfield-Jackson, em Atlanta, receberam atendimento médico de emergência com sintomas relacionados à síndrome aerotóxica. Eles foram encaminhados ao Centro de Envenenamento da Geórgia, onde os médicos diagnosticaram o problema.

Em um dos casos, um supervisor em terra, no aeroporto, ficou doente após apenas ter ido inspecionar um avião.

De acordo com o Channel 2, os passageiros também poderiam estar em risco “pela forma a qual o ar circula”. Segundo Sara Nelson, presidente da Associação de Atendentes de Voo, é de conhecimento geral que os pilotos e os comissários de bordo estão ficando doentes em razão do ar tóxico.

“É uma preocupação real”, acrescentou. “Porque se um membro da tripulação se torna incapacitado e há apenas um piloto para cuidar do avião, isso pode ser muito perigoso para todos a bordo”. Vanessa Woods, uma ex-comissária de bordo, hoje enfrenta problemas neurológicos permanentes como resultado de sua exposição prolongada a hidrocarbonetos.

Os médicos confirmaram seu diagnóstico depois que ela e outros três membros da tripulação da Alaska Airlines foram levados ao hospital.

A maioria dos aviões mais modernos possui sistemas em que as cabines são oxigenadas com uma mistura de ar reciclado e ar quente comprimido extraído de seus motores, um processo conhecido “bleedair”. Ainda, existem vedações ao longo da aeronave projetadas para manter o óleo e esse “bleedair” separados.

No entanto, elas podem vazar ou falhar, fazendo com que os organofosforados contidos no óleo aquecido do motor contaminem o ar que é bombeado para dentro da cabine.

O Boing 787 Dreamliner é o único avião em que isso não ocorre, uma vez que usa compressores elétricos que retiram seu ar da atmosfera. 

De fato, há campanhas sendo realizadas no momento para que a síndrome aerotóxica seja reconhecida como tal. Isso faria com que as companhias aéreas instalassem filtros de ar nas aeronaves existentes a fim de proteger tripulação e passageiros.

No entanto, os ativistas estão enfrentando uma dura batalha para convencer o público e as autoridades, já que a indústria da aviação e profissionais médicos, que poderiam produzir estudos conflitantes, os consideraram teóricos da conspiração.

Um relatório feito em 2013 pelo professor Michael Bagshaw, um especialista em medicina da aviação no Kings College de Londres, observou que “as quantidades de organofosforados a que os tripulantes de aeronaves podem estar expostos, mesmo em exposições múltiplas a longo prazo, são insuficientes para produzir neurotoxicidade”.

O que é síndrome aerotóxica?

A “síndrome aerotóxica” é o termo dado aos sintomas ligados à exposição ao ar contaminado em aeronaves. Muitos ex-pilotos, copilotos e comissários de bordo acreditam que foram submetidos a doenças crônicas devido à quantidade de tempo que passaram expostos ao ar da cabine e “vapores tóxicos”.

Numerosos estudos científicos têm sido realizados desde o final dos anos 1970 para tentar determinar se o ar das cabines é a causa desses problemas de saúde crônicos. 

Os sintomas para a síndrome incluem fadiga, visão turva ou de túnel, perda de equilíbrio, convulsões, comprometimento da memória, dores de cabeça, zumbido, confusão, náuseas, diarreia, dificuldades respiratórias e irritação dos olhos, nariz e vias aéreas superiores.

Segundo estimativas do departamento de transporte do Reino Unido, esses sintomas afligem passageiros de aproximadamente 0,05% de todos os voos.

Fonte: Daily Mail Fotos: Reprodução / Daily Mail

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