Novo estudo revela como o cérebro se ajusta ao alcoolismo

de Merelyn Cerqueira 0

De acordo com o modelo dos Alcoólicos Anônimos, a dependência do álcool é uma doença incurável e mesmo que uma pessoa consiga permanecer em um longo período de abstinência, ela só poderá ser considerada uma “alcoólatra em recuperação”.

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Embora essa ideia não seja universalmente aceita, não há como negar que o abuso de álcool, a longo prazo, pode levar a mudanças duradouras no cérebro, algumas das quais podem influenciar a susceptibilidade de uma possível recaída. 

Em um estudo,os investigadores revelaram como cérebro de uma pessoa que conseguiu se livrar com sucesso do hábito de beber parece ter desenvolvido uma adaptação especial para ajudar a resistir aos antigos desejos.

A partir disso, os médicos, em breve, serão capazes de prever como cada pessoa em particular sofre uma recaída. Isso poderá ser feito pela simples observação da existência de um certo sinal no cérebro.

Essa descoberta gira em torno de um tipo de proteína chamada receptor metabotrópico de glutamato 5 (mGluR5).

Embora esteja envolvido em uma série de diferentes processos, estudos anteriores demonstraram que em ratos alcoólatras, geneticamente modificados para possuírem o mGluR5, o desejo pela bebida era muito menor.

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Esse resultado sugere que o receptor desempenhe um papel importante na regulamentação do desejo, e por isso, seja essencial para determinar a probabilidade de recaída das pessoas que estão tentando superar um vício.

O fato de que os mGluR5 são encontrados em diversas estruturas cerebrais que compõem o sistema de recompensa aumenta ainda mais o peso para esta teoria.

Para descobrir o papel desempenhado por esse receptor, os pesquisadores recrutaram 16 pessoas que estavam sóbrias após um longo período de abuso de álcool, bem como um grupo de controle com 32 não alcoólatras.

Usando uma técnica chamada de tomografia por emissão de pósitrons (TEP), os autores do estudo foram capazes de determinar os níveis desses receptores no cérebro dos voluntários.

As conclusões indicam que, na recuperação do alcoolismo, os níveis de mGluR5 são significantemente reduzidos no sistema límbico – uma região cerebral fortemente envolvida na motivação comportamental e que contém o circuito de recompensa. Logo, os cientistas acreditaram que, para regular essas proteínas, o cérebro tenta ativamente “desligar” sua vontade de álcool, a fim de evitar uma recaída.

De acordo com o pesquisador líder,Gil Leurquin-Sterk, “esses resultados fornecem novos métodos para o desenvolvimento de terapias que possam curar ou proteger os circuitos de um cérebro disfuncional, caraterizado pelo vício do álcool”. Em outras palavras, essa descoberta poderá ajudar na recuperação definitiva de alcoólicos.

Fonte: IFL Science Fotos: Reprodução / IFL Science

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