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Estudo sugere que pessoas que fumam maconha têm baixo fluxo sanguíneo no cérebro

de Gustavo Teixera 0

Novos exames revelam que pessoas que fumam maconha têm fluxo sanguíneo baixo em praticamente todas as partes do cérebro, inclusive nas zonas de risco de Alzheimer.

Imagens sofisticadas de 1.000 cérebros de usuários de maconha mostram que todos eles tinham restrições generalizadas ou acumulações de fluxo sanguíneo. Muitos tinham níveis sanguíneos anormais em áreas afetadas pela doença de Alzheimer, como por exemplo o hipocampo.

As descobertas, publicadas no periódico especializado em Alzheimer, o Journal of Alzheimer’s Disease, são um aviso para alguns países e alguns estados norte-americanos que legalizaram o uso de maconha para fins recreativos e medicinais. O estudo foi publicado algumas semanas depois que o cirurgião geral da Casa Branca, Dr. Vivek Gupta, alertou que a legalização está se movendo mais rápido do que se pensa.

Os pesquisadores do hospital norte-americano Amen Clinics analisaram uma ampla base de dados, incluindo 26.268 pacientes em todo o EUA entre 1995 e 2015. Os pacientes que eram dos estados de Califórnia, Washington, Virgínia, Geórgia e Nova York, tiveram problemas complexos resistentes ao tratamento e todos foram submetidos à tomografia computadorizada de emissão de fótons, um sofisticado estudo de imagem que avalia o fluxo sanguíneo e os padrões de atividade durante os testes.

Mil desses pacientes eram usuários de maconha. Comparando os exames cerebrais desses pacientes com pessoas que não usam, os pesquisadores viram uma grande diferença nos níveis de fluxo sanguíneo. Todo usuário de maconha tinha fluxo sanguíneo significativamente menor no hipocampo direito em comparação com os que não fumam maconha.

Dr.ª Elisabeth Jorandby, coautora do estudo, disse que ficou chocada com as descobertas, mesmo lidando com pacientes que fumam maconha. “Como médica que vê rotineiramente usuários de maconha, o que me impressionou não foi apenas a redução global do fluxo sanguíneo no cérebro dos usuários de maconha, mas que o hipocampo foi a região mais afetada devido ao seu papel na memória e na doença de Alzheimer“, disse Jorandby.

Este trabalho sugere que o uso de maconha tenha influências prejudiciais no cérebro, particularmente em regiões importantes na memória e aprendizagem, conhecido por ser afetado pela doença de Alzheimer”, completou. “O aumento do uso de maconha, através da legalização, irá revelar a vasta gama de benefícios da maconha e ameaças para a saúde humana. Este estudo indica efeitos preocupantes sobre o hipocampo que podem ser os precursores de danos cerebrais”, disse Dr. George Perry, editor chefe do Journal of Alzheimer’s Disease.

Nossa pesquisa demonstra que a maconha pode ter efeitos negativos sobre a função cerebral. A mídia tem dado a impressão geral de que a maconha é uma droga recreativa segura, essa pesquisa desafia diretamente essa noção”, disse Daniel Amen, fundador da Amen Clinics.

Em outro estudo recentemente divulgado, os pesquisadores mostraram que o consumo de maconha triplicou o risco de psicose. Cautela é a chave desse processo de mudanças das leis sobre o uso de maconha.

[ Daily Mail ] [ Foto: Reprodução / Daily Mail ]

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