Cinco anos após Fukushima, quais as consequências do acidente para os oceanos?

de Merelyn Cerqueira 0

Se você gastar um certo tempo vasculhando em alguns locais da internet encontrará reivindicações de que o desastre nuclear de Fukushima está transformando todo o Oceano Pacífico em uma zona morta.

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No entanto, uma revisão de evidências coletadas apresentou um quadro um pouco menor, conforme reportado pela IFL Science. 

Após o Tsunami Tohoku, que atingiu o Japão em março de 2011, grandes quantidades de materiais radioativos foram liberadas dos reatores nucleares de Fukushima Daiichi.

Destes, acredita-se que 80% tenham encontrado seu caminho até o Oceano Pacífico, ao passo que boa parte deles caíram em terra e posteriormente foram lavados para o mar, através de pesadas inundações.

A principal fonte de radiação liberada por Fukushima é o césio-137. Outros isótopos radioativos eram considerados com pouca representatividade de ameaças, como o iodo-131, que por ter vida curta deixou de ser um problema.

De acordo com um artigo publicado pela revista Annual Reviewof Marine Science, as quantidades liberadas foram cerca de um quinto de todas as liberadas por testes atmosféricos conduzidos em meados do século 20, combinadas a um quinto do montante liberado pelo acidente de Chernobyl, em 1986.

As imagens liberadas pelo estudo também fornecem uma comparação do Oceano em relação a quantidade de césio liberada e sua atividade medida em Becquerel – ou Bq, uma unidade utilizada para medir a atividade de uma fonte radioativa que equivale a um decaimento por segundo. As imagens mostram dados de junho de 2011 até abril de 2012.

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Apesar dos números soarem grandes, e certamente seriam se a radiação não tivesse sido contida a uma pequena área, o Oceano Pacífico é enorme, e até mesmo os efeitos concentrados a uma pequena área do Japão, já diminuíram consideravelmente.

Durante o período de observação, foram relatadas diminuições a cada sete dias. Já que o césio tem uma meia-vida de 30 anos, essa redução mostra que seus átomos radioativos estão afundando ou sendo dispersos, ao invés de decaírem.

O césio proveniente de Fukushima foi detectado pela primeira vez ao largo da costa do Canadá, em junho de 2013. As medições do Pacífico oriental continuam a subir, mas o maior valor encontrado até agora, de 10 Becqueréis por metros cúbicos, permanecem muito abaixo dos níveis considerados inseguros. 

A preocupação, no entanto, está na vida marinha presente ao largo da costa do Japão. Amostras de peixes e invertebrados, feitas por meio de estudos independentes, mostraram que os níveis de radioatividade superiores a 500 becquerel por quilograma, são considerados inseguros.

No entanto, esse valor foi reduzido a 100 Bq/kg, em razão das preocupações publicas após o desastre.

“Em 2011, aproximadamente metade dos peixes colhidos nas águas costeiras ao largo da Prefeitura de Fukushima tinham a presença de césio acima de 100 Bq/kg”, informou um dos estudos.

Em 2015 apenas um por cento excedeu esse nível. Logo, os peixes capturados dentro do porto de Fukushima permanecem altamente radioativos. Segundo os autores, devido a uma combinação de césio, preso em sedimentos no fundo do porto, e o vazamento contínuo dos reatores.

Fonte: IFL Science Fotos: Reprodução / IFL Science

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