Buraco negro é encontrado voando sozinho e “nu” pelo Universo

de Merelyn Cerqueira 0

Encontrar-se nu e sozinho em algum lugar desconhecido nunca é uma coisa boa.

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No entanto, esta é a realidade para um buraco negro chamado B3 1715 + 425, localizado em uma galáxia cluster a 2 bilhões de anos-luz de distância, de acordo com informações da Science Alert. Tal buraco teria começado como qualquer outro supermassivo, com uma galáxia elíptica envolta de estrelas. Porém, de acordo com astrônomos, este teria sido abandonado e deixado quase nu, voando pelo Universo a velocidades de até 2.000 quilômetros por segundo, e sem qualquer sinal de desaceleração.

Segundo o pesquisador James Condon, do National Radio Astronomy Observatory, nada semelhante já havia sido visto antes. Ele acredita que o buraco negro incomum poderia ajudar os especialistas a entenderem melhor como as galáxias se formam e evoluem. B3 1715 + 425 foi avistado enquanto a equipe procurava por buracos negros supermassivos que não se encontravam nos centros das galáxias, a fim de entender melhor sobre este tipo de estrutura. Apesar de não planejado, acabaram encontrado o buraco em questão.

Para colocar sua nudez em perspectiva, a Via Láctea possui cerca de 100.000 anos-luz de diâmetro, enquanto que os restos galácticos em torno de B3 1715 + 425 têm apenas 3.000 anos-luz de diâmetro. Os pesquisadores acreditam que o problema envolvendo a falta de uma galáxia circundante começou quando ele se chocou com outra galáxia, o que não é incomum. A maioria das galáxias gigantes do Universo se formaram a partir de fusões com versões menores.

Quando esse choque ocorre, normalmente, os buracos negros supermassivos no centro de cada uma delas passam a se orbitar mutuamente, aproximando-se cada vez mais para uma fusão. Quando isso ocorre, liberam uma enorme explosão de energia, na forma de ondas gravitacionais. No entanto, isso não parece ter acontecido com B3 1715 + 425.

A partir de observações feitas com telescópicos da rede VLBA (Very Long Baseline Array), Condon e sua equipe conseguiram analisar mais detalhadamente o buraco negro e verificaram seu comportamento. Acredita-se que, há milhões de anos, a galáxia em torno dele passou através de uma muito maior, que por sua vez já tinha engolido outras em seu caminho.

Logo, como era muito grande, ao invés de se fundir, a galáxia de B3 1715 + 425 foi rasgada em pedaços, com partes de seus detritos estelares sendo espalhados por todo o aglomerado circundante. O buraco negro supermassivo em seu centro conseguiu escapar com as estrelas mais próximas, que queimaram pelo espaço ao redor, perdendo gradualmente gás ionizante a medida que desapareciam.

Os astrônomos acreditam que, eventualmente, algo em torno de bilhões de anos, o buraco negro se tornará completamente invisível, uma vez que não haverá novas estrelas para alimentá-lo. No entanto, até lá, ele continuará a se mover por todo o Universo sem deixar qualquer rastro. Os pesquisadores também consideraram a existência de formas semelhantes no espaço, mas que nunca puderam ser identificadas antes. A descoberta também poderá ajudá-los a verificar a teoria proposta de que os buracos negros não são centros de suas galáxias, bem como ensinar como elas se formam e evoluem. As descobertas foram publicadas no Astrophysical Journal.

[ Science Alert ] [ Fotos: Reprodução / Science Alert ]

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