A psicologia por trás dos filmes de terror: especialistas explicam recursos usados para provocar medo

de Merelyn Cerqueira 0

Você gostando ou não de filmes de terror, a premissa para a existência deles é a mesma: provocar o medo.

Mas, para que isso aconteça, a indústria cinematográfica precisa contar com alguns truques que ajudam a explorar nossos sentidos.

Por exemplo, fotografias mais escuras podem nos fazer lembrar do escuro e como somos vulneráveis a ele. Algo semelhante ocorre com a trilha sonora, que é selecionada de modo a provocar nossos ouvidos.

O ângulo da câmera também é importante, uma vez que pode causar desequilíbrio no espectador. Quanto aos cenários isolados, estes desencadeiam o medo que a maioria tem de ficar sozinha.

Esses truques simples e inteligentes foram apresentados pelo especialista em mídia Dr. Michael Grabowski, professor associado de comunicação do Manhattan College e autor do livro didático Neuroscience and Media: New Understandings and Representations (Neurociência e Mídia: Novos Entendimentos e Representações, em tradução livre), e a socióloga Margee Kerr, da Universidade de Pittsburgh (EUA), ao Daily Mail, junto a uma série de outros que você confere logo abaixo.

1 – A escuridão e o medo do desconhecido

A iluminação fraca dos filmes de terror é uma técnica usada apenas para assustar.

Quando uma cena é extremamente escura, ela transmite ausência de informação, de modo que ficamos confusos sobre o que está acontecendo.

A exemplo disso temos cenas que envolvem lanternas, fogueira e velas, que distorcem as sombras. 

De acordo com o Dr. Grabowksi, quando estamos em nosso ambiente natural, estamos acostumados a ser iluminados pelo sol com sombras formadas sob os olhos, nariz e queixo.

No entanto, quando em filmes de terror as pessoas usam lanternas, as sombras são invertidas, o que sugere que algo está errado.

2 – Sons discordantes

Não é só o que podemos ver que desencadeia o medo. Dr. Grabowski explica que estamos acostumados a experimentar música com progressão natural nos acordes, em oitavas completas.

Sendo assim, quando duas notas são tocadas uma ao lado da outra ao mesmo tempo, o sistema auditivo reage como se não fosse algo natural, ou certo.

Um exemplo disso é o famoso suspense de Alfred Hitchcock, Psicose, de 1960, na cena em que a personagem Marion Crane (Janet Leigh) está sendo assassinada no chuveiro. O que ouvimos quando Norman Bates a apunhala até a morte é uma trilha sonora de violinos, violas e violoncelos estridentes.

Segundo Kerr, os filmes também podem usar a música para nos assustar quando os sons entram em oposição ao que é apresentado na tela. “Eles pegam sons que associamos à familiaridade – como o sino de igreja – e os colocam em uma cena em que estamos vendo horror, o que aumenta essa dissonância”.

3 – Ângulos da câmera que nos colocam como vítimas

O ângulo da câmera também é um ótimo recurso para provocar medo. Ao olhar para algo que está inclinado ou tremido, também sentimos certo desequilíbrio.

Talvez, um dos melhores exemplos disso seja a franquia Bruxa de Blair (1999), que conta a história de três cineastas estudantes que desaparecem depois de irem a Maryland (EUA) para filmar um documentário sobre uma lenda local. O que assistimos no filme é a “metragem encontrada”.

Ao fazer os atores filmarem as cenas, junto com movimentos instáveis, os cineastas tornam tudo mais real, fazendo-nos sentir como as verdadeiras vítimas.

Outra maneira de antecipar o espectador é filmar as cenas com ângulos mais amplos, já que isso provoca ansiedade. Ficamos esperando algo acontecer em qualquer parte do enquadramento, mas sem saber exatamente onde.

4 – Cenários isolados e o medo de estarmos sozinhos

O ser humano é um ser social. Logo, é natural que sintamos medo de ficar sozinhos. Cineastas que sabem aproveitar bem isso, normalmente fazem filmes em que o cenário chega a ser mais assustador do que o vilão.

Um bom exemplo disso é o filme, O Segredo da Cabana (2012), que conta a história de um pequeno grupo de universitários que decide passar um final de semana em uma remota cabana.

Ali eles se tornam vítimas de zumbis, cientistas malucos e outros eventos.

Apesar de haver um assassino à solta, o fato de os personagens estarem tão longe da civilização já é assustador, especialmente quando consideramos o mundo hiperconectado que vivemos. Isso, segundo os especialistas, poderia desencadear a sensação de estarmos na mesma situação, e como ninguém seria capaz de nos ajudar.

Fonte: Daily Mail Fotos: Reprodução / Daily Mail / El País / Psychology Today

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