Em um estudo publicado este mês na revista Acta Psychiatrica Scandinavica, cientistas descobriram que o uso precoce de maconha pode resultar em problemas de disfunção cognitiva e redução de QI.
Os pesquisadores também mostraram que o consumo de cannabis não é capaz de reduzir os sintomas da depressão em adolescentes, de acordo com informações da Science Daily.
Para o estudo, foram recrutados participantes que usaram maconha desde a mais tenra idade, os quais apresentaram função anormal em áreas relacionadas ao processamento visual-espacial, memória, atividade auto referencial e processamento de recompensa, bem como QI reduzido. A maconha é a substância ilícita mais consumida no mundo. Estudos anteriores já haviam sugerido que usuários frequentes estão em maior risco de disfunção cognitiva e condições psiquiátricas, como esquizofrenia, depressão e transtorno bipolar.
Segundo a pesquisadora canadense Dr.ª Elizabeth Osuch, da Western University, muitos jovens, apesar dos resultados de pesquisas anteriores, utilizam a droga para melhorar suas condições psiquiátricas e “porque os fazem sentirem-se bem momentaneamente”. Por essa razão, a cientista decidiu estudar os efeitos da maconha sobre a depressão, sintomas psiquiátricos e função cerebral cognitiva.
Assim, ela e sua equipe recrutaram jovens de quatro grupos: aqueles com depressão e que não eram usuários de maconha; outro grupo com depressão e usuários frequentes; jovens sem depressão usuários frequentes; e outro grupo de indivíduos saudáveis que não eram usuários de maconha. Os participantes foram divididos entre os que começaram a fumar antes dos 17 anos e os que o fizeram mais tarde na vida.
Os grupos foram submetidos a teste psiquiátrico, cognitivo, de QI e análise cerebral. A princípio, não foram encontradas evidências de que a erva estaria ajudando a melhorar os sintomas depressivos, já que não houve diferença nos sintomas psiquiátricos entre os depressivos que eram usuários e os depressivos que não usavam a droga. Diferente disso, foi relatado que o uso não conseguiu corrigir os déficits de função cerebral dos participantes com depressão, e em algumas regiões do cérebro, os sintomas depressivos pioraram.
“Estes resultados sugerem que o uso de maconha não corrija as anormalidades cerebrais ou sintomas de depressão, que e usá-la desde tenra idade pode ter um efeito anormal não só sobre o funcionamento do cérebro, mas também sobre o QI”, disse Dr.ª Osuch. A redução de QI foi associada aos usuários que iniciaram o consumo da droga antes dos 17, além disso, eles também apresentaram anormalidades em áreas relacionadas ao processamento visual e espacial, memória, atividade autorreferencial e processamento de recompensa.
Também foram realizados testes genéticos nos pacientes, uma vez que estudos têm comprovado que pessoas que ficam depressivas pelo uso de maconha podem ter herdado geneticamente tal predisposição. Dr.ª Osuch advertiu que o estudo de fato é pequeno, e que ainda são necessárias maiores investigações. O próximo passo, segundo ela, é explorar a constatação de que pessoas estejam geneticamente predispostas a fumarem maconha desde cedo. “Esta é uma nova descoberta que sugere que esta variação genética pode predispor os jovens ao uso de maconha desde cedo”, disse.
[ Science Daily ] [ Fotos: Reprodução / Science Daily ]