Estudo mostra que é possível criar “memória” no sistema imunológico para fazê-lo lembrar de bloquear o câncer

de Merelyn Cerqueira 0

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Em um estudo recentemente publicado no periódico Science Immunology , pesquisadores afirmaram ter encontrado uma maneira de treinar o sistema imunológico para erradicar células cancerosas e lembrá-lo para o caso de tentarem retornar. Com informações da Mental Floss.

 

O câncer é considerado um invasor furtivo. Então, ao invés de enfrentar de frente as defesas do corpo, ele manipula sentinelas dentro de nosso sistema imunológico que trabalham contra nós. Uma sentinela comumente sequestrada é célula reguladora CD4+T (Treg). Uma vez em poder do câncer, ela diz ao nosso corpo para deixar os tumores “em paz”, quando normalmente o sistema imunológico os tratariam como invasores. O problema, no entanto, é que essas células dificilmente são atingidas por medicamentos.

 

Uma maneira possível é por meio de uma molécula chamada LAP. Por meio de experimentos realizados em ratos com melanoma, câncer de cólon e cerebral, os pesquisadores analisaram a interações entre as células Treg e a LAP. Eles descobriram que atingindo as sentinelas com anticorpos especiais ‘anti-LAP’, conseguiram contornar a situação, efetivamente desligando as células sequestradas. Os ratos tratados com esses anticorpos apresentaram níveis mais baixos de células Treg e cancerígenas.

 

Ainda, quando os pesquisadores misturaram anticorpos anti-LAP em vacinas tumorais, descobriram que os tumores não mais cresciam, nem mesmo em camundongos expostos a proteínas cancerígenas. E os efeitos desses coquetéis medicinais duraram meses.

 

Melhor que isso é o fato de que o tratamento pareceu criar “memórias” no sistema imunológico dos camundongos, permitindo-lhes reconhecer as células cancerosas mais rapidamente e prevenir reaparecimentos.

Contudo, antes de ficarmos muito animados com os resultados, primeiro devemos considerar que os experimentos foram realizados apenas em ratos. Em segundo lugar, os tratamentos foram testados na pele desses animais, e não nos locais onde os tumores naturalmente cresceriam.

 

Por fim, os pesquisadores consideram que o método de moléculas anti-LAP é um bom passo em relação a novos tratamentos e que estão ansiosos para melhor explorá-los.

[ Diário de Biologia / Science Immunology ] [ Foto: Reprodução / Diário de Biologia ]